Suplente não vai herdar cargos de Marta nas comissões

Antônio Carlos Rodrigues é contra questões relacionadas a bandeiras levantadas pela ex-senadora

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2012 | 20h46

Suplente da ministra Marta Suplicy (PT), que se licenciou do Senado para assumir a Cultura, o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR) não vai herdar automaticamente os cargos nas comissões permanentes da Casa nem os projetos relatados pela petista. Esta era uma das apreensões de Marta, que até quarta-feira era a relatora do projeto de lei que criminaliza a homofobia. Nesta quinta, Marta disse que a escolha do suplente foi uma "decisão partidária".

Ligado à Igreja Católica, Carlinhos, como é chamado, é conhecido por suas atitudes contra a liberação aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, bandeiras de Marta. Preocupada com as posições de seu sucessor, a petista foi flagrada pelo jornal "Correio Brasiliense", na quarta, mostrando à senadora Lídice da Mata (PSB-BA), um e-mail no celular, que classifica o vereador como "evangélico e homofóbico". Marta teria recebido a mensagem de organizações não governamentais, que defendem os direitos dos homossexuais e não querem que Antonio Carlos assuma a relatoria do projeto que criminaliza a homofobia.

"Minha posição é muito semelhante à da Marta", disse Lídice, cotada para substituir a petista na relatoria do projeto na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O presidente da Comissão, Paulo Paim (PT-RS), informou que só vai escolher o novo relator depois do primeiro turno das eleições de outubro. "Vou indicar um nome na linha de se construir uma saída negociada para esse projeto", afirmou.

O flagrante dado em Marta criou um mal estar na bancada petista, que teme reflexos na eleição de São Paulo. Escolhida para a Cultura depois de um arranjo eleitoral em troca do engajamento na candidatura do petista Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, a atitude de Marta poderá dificultar a estratégia do PT de garantir o apoio do PR de Antonio Carlos num eventual segundo turno com Celso Russomanno (PRB). O PR está hoje coligado ao tucano José Serra.

"Esse vereador já está na campanha do Serra e seu apoio não vai ser decisivo para o Haddad, em um segundo turno eleitoral", argumentou Lídice da Mata, ao tentar minimizar o episódio. A data da posse de Antonio Carlos no Senado ainda não foi marcada. Até quinta à tarde, ele ainda não havia entregado os documentos necessários para ir para a vaga de Marta.

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