Suplente de Roriz negocia rádio com grupo italiano

Se negócio se confirmar, Argello violou a Constituição, que veda a prática

Leonencio Nossa e Sônia Filgueiras, do Estadão

15 de julho de 2007 | 13h57

Os negócios do futuro senador Gim Argello (PTB-DF) vão além da corretagem de lotes em áreas públicas da capital federal. Documentos obtidos pelo Estado indicam que o suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) transferiu o controle de uma rádio em Taguatinga para um grupo estrangeiro, o que burla o artigo 222 da Constituição.De acordo com os registros da Agência Nacional de Telecomunicações e do Ministério das Comunicações, a freqüência 94,5 FM em Brasília está em nome da Fundação Calmerinda Lanzillotti, avó da ex-mulher de Argello. Quem sintoniza a rádio, no entanto, sabe que a emissora é operada pela organização religiosa Rádio Maria, um grupo italiano que constituiu uma fundação em nome de brasileiros.A transferência da rádio, em 2004, começa a ser investigada. No papel, houve a troca de diretoria - o que é permitido pela lei. Na prática, outra fundação, que não é titular da outorga, explora a concessão. O padre Reinaldo Pinheiro, diretor da Rádio Maria na cidade-satélite de Taguatinga, nega que a entidade tenha feito negócio com Argello - com ou sem dinheiro - e alega que quem vai tirar as dúvidas é o Ministério Público. "A rádio é monitorada pelo Ministério Público", explicou.O caso da Rádio Maria não é o único envolvendo o nome de Argello nos negócios das concessões. O suplente de senador é conhecido nos bastidores da Câmara Distrital de Brasília, onde ocupou cadeira de deputado por oito anos, como o rei das rádios da periferia. Só na gestão de Hélio Costa no Ministério das Comunicações, Argello atuou para legalizar cinco rádios comunitárias.

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