Supermercados querem voltar a vender remédios

Os supermercados querem autorização do governo para voltar a vender livremente medicamentos cuja comercialização não exija receita, mas o ministro da Saúde, José Serra, não demonstra simpatia pela proposta. Em defesa da liberação desse comércio em suas gôndolas, representantes do setor acenam com uma possível redução nos preços dos remédios mais simples e de maior consumo. O ministro, porém, considera que há no País mais lojas do setor farmacêutico do que seria necessário e diz preferir que os mercados abram "farmácias completas", ou seja, com farmacêuticos e profissionais especializados.Representantes do setor aproveitaram hoje a solenidade de assinatura de um convênio com o Ministério da Saúde, no encontro anual da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), no Riocentro, para falar da reivindicação, que foi analisada com reservas por Serra. "O Brasil tem 55 mil farmácias, quando, pelo tamanho de sua população, deveria ter 25 mil", afirmou Serra, em pronunciamento aos empresários que participam do encontro. Em entrevista, porém, foi diplomático, defendendo a instalação das "farmácias completas" nos mercados e afirmando que o pedido de liberação está sob exame."O assunto envolve a legislação sobre farmácias", disse. "É aparentemente simples na idéia, mas complexo do ponto de vista operacional e político."O presidente da Abras, José Humberto Pires de Araújo, disse que os supermercados só querem vender os chamados medicamentos de "pronto alívio", mais simples, e afirmou que somente as grandes lojas têm condições econômicas de abrir farmácias completas. Ele procurou rebater os argumentos contrários à proposta de liberação, que apontam possíveis prejuízos ao setor de farmácias já existentes, denunciam supostos problemas na área de vigilância sanitária e questionam os benefícios efetivos para a população da permissão aos supermercados para fazerem esse comércio.Pires de Araújo afirmou que não haveria perdas efetivas para as farmácias tradicionais, já estabelecidas, e lembrou que, quando a venda nos supermercados era permitida, não houve casos de intoxicação por medicamentos vendidos por eles. "E trabalhamos com margens de lucros menores, poderíamos oferecer preços melhores", disse.ConvênioAntes da polêmica, Pires de Araújo e Serra assinaram o convênio que criou o programa Parceiros da Saúde, cujo objetivo é tornar os supermercados postos avançados de ações de promoção e prevenção à saúde. O ministério quer usar as lojas do setor para divulgar suas campanhas, mutirões e programas, facilitando o acesso às informações de saúde. "É um setor enorme, com faturamento de R$ 60 bilhões e 700 mil empregos"", disse Serra. "Se a campanha em relação à saúde se restringisse só aos funcionários, já seria um grande avanço."

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