Superintendente regional do Incra de PE é transferido

O Ministério do Desenvolvimento Agrário decidiu fazer mudanças no escritório regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Pernambuco ? o Estado que apresenta o maior número de invasões de terras no País. O superintendente regional, João Farias, que vinha enfrentando críticas do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Organização de Luta no Campo (OLC), as duas entidades mais influentes no Estado, foi removido do cargo. Ele passará a dirigir a delegacia regional do ministério ? um cargo considerado mais importante na hierarquia burocrática, mas afastado do contato com as organizações de sem-terra. Para o lugar dele foi nomeada a ouvidora agrária substituta do ministério, Maria de Oliveira. Ela já dirigiu a superintendência do Paraná e, segundo o presidente do Incra, Rolf Hackbart, ?conhece bem a máquina administrativa do Incra e tem boa experiência na solução de conflitos.?Hackbart negou a hipótese de Faria ter sido afastado por pressão dos sem-terra. ?O ministro Miguel Rossetto convidou-o para um cargo mais importante, onde ajudará a definir políticas para os assentamentos e a agricultura familiar?, disse. A notícia da substituição foi comemorada entre os líderes do MST e da OLC. ?O Farias não conseguiu alavancar a reforma agrária em Pernambuco?, disse João Santos, da OLC. ?Em 2003 só foram assentadas 460 famílias ? o pior índice em nove anos.? Na opinião de Adilson Barbosa, do MST, o superintendente conhecia pouco a estrutura do Incra. ?A Maria de Oliveira tem mais condições de atingir a meta de assentamento?, disse.As pressões para a substituição de Farias, que no passado prestou serviços para o MST e chegou ao cargo com o apoio da organização, aumentavam a cada dia. A sede do Incra no Recife foi ocupada por militantes do Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), descontentes com o ritmo da reforma agrária. A OLC, que disputa a liderança dos sem-terra no Estado com o MST, o acusava de favorecer este movimento. Por sua vez, o MST e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) diziam que Farias era incapaz de acelerar a máquina do Incra. Segundo os líderes destas organizações, a superintendência pernambucana é dominada por funcionários contrários à reforma agrária.

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