Superávit e baixa inflação são apenas instrumentos, diz Tarso

O ministro Tarso Genro, da secretaria especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, disse hoje na capital gaúcha que o superávit primário e as baixas taxas de inflação são instrumentos, e não finalidades. "São instrumentos para transitarmos para um modelo econômico de distribuição de renda, de crescimento e de emprego", disse o ministro, que foi palestrante de reunião da Câmara Americana de Comércio (Amcham-RS). Tarso ressaltou que esses mecanismos são adicionais e não um fim em si mesmo. "Se eles forem um fim em si mesmo, a situação permanece a mesma e a visão do governo e do próprio ministro da Fazenda não é esta", acrescentou. Questionado se a posição significava uma mudança de postura do governo, de ressaltar os objetivos e não os meios, Tarso disse que esta postura é a do governo desde o começo. O ministro também disse ter uma convicção pessoal de que no segundo semestre ficarão mais claras as bases para o desenvolvimento econômico e afirmou que espera em 2004 que o país alcance taxas bem superiores às atuais. Em entrevista publicada hoje pelo Financial Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que o controle da inflação é prioridade do governo. Reforma trabalhistaTarso disse que a reforma trabalhista será debatida no Fórum Nacional do Trabalho, a partir de agora, que ficou encarregado de capilarizar a discussão já realizada no conselho. Depois disso, a proposta retorna ao conselho. Ele estimou que o projeto poderá chegar ao Congresso em setembro e ressaltou que a reforma trabalhista é menos contenciosa que a da Previdência. Com a maioria O governo vai passar por momentos de maior e menor contencioso com a sociedade, analisou o ministro, ao comentar as dificuldades do Executivo na discussão das reformas. "Agora, o governo não vai perder a maioria na sociedade e nem a capacidade de disputa para hegemonizar as reformas, transformando o Brasil para melhor", acrescentou Tarso. O presidente honorário da Amcham-RS, Carlos Biedermann, disse, no início da reunião, que o governo passa por um momento "de final de lua-de-mel".Em entrevista, ao responder sobre os protestos organizados por sindicatos contra a reforma previdenciária, Tarso disse que o debate faz parte do contencioso democrático, mas assinalou que os movimentos corporativos são o ponto de partida e não o de chegada deste processo. "O ponto de chegada é o interesse público da Previdência." Em sua palestra na Amcham, Tarso reiterou que a reforma previdenciária, "ao contrário do que dizem alguns setores, é a mais distributiva". Ele lembrou que é favorável a um tratamento específico para as carreiras de Estado. "Outra coisa são os abusos intoleráveis e distorções", criticou. Como exemplo das discrepâncias do sistema, Tarso citou as aposentadorias médias no regime geral (R$ 374,00), serviço público no Executivo (R$ 2.272,00), Judiciário (R$ 8.027,00) e Ministério Público da União (R$ 12.571,00). Fim do ?artificialismo sindical?O ministro disse que é preciso acabar com o "artificialismo sindical". Segundo ele, esse é um dos pontos essenciais da reforma trabalhista, que já passou por uma discussão prévia no conselho e agora será debatida de forma mais abrangente na sociedade. O ministro estimou que 60% a 70% dos sindicatos só sobrevivem pela contribuição sindical. Ele disse também que a Justiça do Trabalho é "um grande sinal civilizatório, mas se tornou um símbolo da impotência da sociedade em se questionar".

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