Sul terá vacinação preventiva contra a aftosa

O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, definiu na noite desta terça-feira com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), a aplicação preventiva de vacinas contra a febre aftosa nas áreas próximas das fronteiras do Estado com o Uruguai e a Argentina, países infectados pela doença. O objetivo da medida é tentar impedir o ingresso do vírus da aftosa no território brasileiro.Esta área especial de proteção irá vigorar por tempo determinado, esclareceu o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira. Ele afirmou que a medida é ?emergencial?. O ministério propôs esta ação a partir da análise da situação do Uruguai, onde a enfermidade se alastra rapidamente, afirmou o delegado uruguaio no Rio Grande do Sul, Odalniro Dutra. Junto com a aplicação de vacinas, serão adotados procedimentos especiais de trânsito de mercadorias, instaladas barreiras sanitárias, elaborado um cadastro das propriedades rurais e criadas ações de educação sanitária, acrescentou Oliveira.Técnicos do Estado e do ministério estarão reunidos a partir desta quarta-feira para acertar os detalhes do funcionamento e extensão da proteção. A área irá envolver o Rio Grande do Sul em formato de ?L? para cercar as duas fronteiras de risco. O plano do ministério prevê a aplicação de duas doses de vacinas num intervalo ?curto? entre elas, disse Oliveira.A fronteira de Santa Catarina com a Argentina também deverá ser atingida pela vacinação preventiva, mas a decisão ainda depende de negociação com o governo catarinense. Depois que os detalhes forem acertados, a aplicação de vacinas poderá ser feita três dias. Oliveira disse que é possível começar a medida ainda nesta semana.A aplicação preventiva de vacinas era defendida pelo governo gaúcho. A Argentina reconheceu a existência de aftosa em seu território no dia 12 de março e a oficialização da doença no Uruguai, no dia 24 de abril, foi considerada ?a gota d´água? pelo governo estadual, que atribuiu a Pratini a responsabilidade em caso de retorno da enfermidade ao Estado. O governador Olívio Dutra disse que a proposta do ministério representou ?um avanço considerável? e significou o reconhecimento, por parte da autoridade sanitária, de que ?é preciso vacinar para proteger o rebanho?. Olívio concordou com a proposta após receber de Pratini a garantia de que a medida não irá isolar a produção pecuária do Estado do resto do País.O ministro, que viajou a Porto Alegre para a reunião com o governador a pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou que uma vacinação generalizada transformaria o Estado em uma área infectada.Pratini disse que o Brasil irá negociar com a Organização Internacional de Epizootias (OIE) a manutenção do estágio sanitário do Circuito Pecuário Sul, apesar da decisão de imunizar parte do rebanho. ?Esperamos que a medida seja acatada pelas entidades internacionais?, afirmou. O Circuito Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) é reconhecido como área livre de aftosa com vacinação, mas teve seu certificado temporariamente suspenso pela OIE após a ocorrência da doença em agosto do ano passado no noroeste gaúcho. Pratini informou que o governo uruguaio concordou em repetir o procedimento do seu lado da fronteira, imunizando o rebanho nas proximidades com o Rio Grande do Sul. O Brasil enviou vacinas para o Uruguai para colaborar com a ação de combate à aftosa. Apesar de reconhecer a necessidade de aplicar vacinas, o ministro reiterou que a medida não será eficaz se não for acompanhada de outras ações de vigilância.O governo gaúcho deverá editar nesta quarta-feira uma portaria suspendendo a realização de feiras de gado nas regiões de fronteira. A decisão não teve a aprovação de criadores de gado que conversaram com Oliveira hoje à noite. O vice-presidente da Associação Brasileira de Angus, Fábio Gomes, reagiu à proposta com uma ironia. Sugeriu que fosse criado o ?ministério da suinocultura? e que Pratini fosse nomeado seu titular, pois considerou que este setor será o beneficiado com a vacinação restrita à fronteira. Gomes estimou que cerca de 10% do rebanho gaúcho ? de quase 13 milhões de cabeças de gado ? esteja na fronteira.

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