Suíços começam a investigar contas de Maluf

As autoridades suíças começam a se preparar para a investigação sobre os ativos que o ex-prefeito Paulo Maluf teria depositado na agência do Citibank em Genebra até 1997. No início da semana, o procurador-geral de Genebra, Bernard Bertosse, escolheu o procurador Jean Louis Crochet para ser o responsável pelo caso, entregando-lhe um dossiê com informações preliminares sobre Maluf. Coincidência ou não, Crochet, de 53 anos, foi o responsável pela apuração do outro caso de corrupção conhecido no Brasil: o do juiz Nicolau dos Santos Neto e o desvio das verbas para a construção de um tribunal em São Paulo. Um funcionário do governo suíço confirmou que as autoridades receberam informações de que haveria dúvidas sobre a legalidade das transações financeiras de Maluf, e que isso teria levantado suspeitas sobre a origem do dinheiro. Uma das possibilidades seria de que o próprio Citibank, onde Maluf supostamente teve uma conta em Genebra, teria informado à procuradoria local. Por enquanto, porém, Crochet não deu início às investigações. Nos corredores do Palácio da Justiça de Genebra, o comentário é de que ele estaria apenas esperando um pedido oficial do governo brasileiro para levar as investigações adiante. A porta-voz da Polícia Federal Suíça, Daniele Berfier, explica que, mesmo sem a autorização do Brasil, Genebra pode iniciar o caso. "Pela lei, existe essa possibilidade", afirmou. Mas, na maioria das vezes que um caso envolve um cidadão de outro país, a prática tem sido aguardar que o governo interessado solicite a abertura do processo. Ilha de JerseyEnquanto na Suíça o caso de Maluf aguarda uma definição do governo brasileiro, em Jersey as autoridades preparam uma nova lei que ampliará os poderes da polícia local para investigar práticas de lavagem de dinheiro no paraíso fiscal no Canal da Mancha. Em entrevista à Agência Estado, o diretor da Comissão de Serviços Financeiros de Jersey, Richard Pratt, anunciou que nas próximas semanas o governo local estará introduzindo uma política para que não apenas os titulares de contas sejam investigados, mas também os beneficiados de ativos depositados em bancos da ilha. Pratt alerta: "Nem sempre são os titulares das contas que praticam a lavagem de dinheiro, mas também aqueles que estão por trás do titular". Apesar de anunciada apenas agora, a nova política poderia ser adotada nas investigações sobre os ativos de Maluf. Segundo as autoridades de Jersey, o dinheiro, caso de fato exista, continuaria sendo lavado, o que seria ilegal. Segundo o diretor do principal órgão de controle do sistema financeiro de Jersey, a política deverá se tornar lei em uma ano, mas assim que for anunciada, já deverá ser seguida pelas instituições financeiras da ilha. Pratt confirmou a existência do pedido do Brasil de investigar os ativos de Maluf em Jersey e garantiu: "Sei que o caso é importante e tenho certeza que temos como ajudar". Ele ainda ressaltou que, em janeiro, mandou um comunicado a todos os bancos solicitando que as instituições financeiras fizessem um "pente fino" sobre as contas de Jersey. "Pedi que todos tivessem cuidado, principalmente com personalidades públicas, pois poderia ser perigoso para a reputação dos bancos e da própria ilha", afirmou. Cada vez que um banco suspeita de um de seus clientes em Jersey, a instituição é obrigada a repassar os dados à polícia local, sem informar ao suspeito de que está fazendo isso. A lei local prevê que, se um banco não transmitir as informações e for descoberta alguma irregularidade de um de seus clientes por outros meios, a própria instituição pode ser investigada por permitir lavagem de dinheiro. "Podemos até decretar o fechamento de um banco", afirmou Richard Pratt, que lembra que os próprios gerentes de bancos podem ser processados por não evitar a lavagem de dinheiro. O resultado de tanta pressão sobre os bancos resultou, somente no ano passado, no envio de 600 relatórios sobre contas bancárias às autoridades de Jersey. Pratt, porém, não soube dizer se outros brasileiros, além de Maluf, estariam sendo investigados.

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