Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Suíça vai revelar movimentação bancária de Maluf

Os dados sobre a movimentação bancária do ex-prefeito Paulo Maluf no exterior finalmente serão enviados ao Brasil, abrindo a possibilidade para que os procuradores brasileiros possam desvendar a origem, a rota e o destino de seus recursos. O Tribunal Federal Suíço informou ontem que rejeitou o recurso apresentado pelos advogados do ex-prefeito, que pretendia impedir a liberação dos documentos de posse dos suíços aos procuradores brasileiros. Diante da decisão do tribunal, os dados que estavam tramitando em Genebra nos últimos dois anos serão encaminhados nas próximas semanas ao Itamaraty, que os repassará aos procuradores federais. Maluf, apesar de negar sempre que pode, manteve contas no Citibank de Genebra entre 1985 e 1997, informação que foi confirmada ao Estado em várias ocasiões pelo ex-procurador suíço Bernard Bertossa. Em 1997, diante de mudanças nas leis suíças para tentar coibir a lavagem de dinheiro, o ex-prefeito optou por transferir os recursos para a Ilha de Jersey, outro paraíso fiscal na Europa. Dossiê Em 2001, o Brasil solicitou ajuda da Suíça para desvendar as movimentações bancárias de Maluf. O juiz de Genebra Claude Wenger ficou encarregado pela coleta de informações sobre o ex-prefeito e montou um dossiê com as informações sobre o político brasileiro. Para que o dossiê fosse entregue ao Brasil, porém, os procuradores do País precisariam provar que as suspeitas existentes contra o ex-prefeito estavam relacionadas com suas contas no exterior. Em meados do ano passado e depois de muito debate, Wenger decidiu liberar os documentos. Naquela oportunidade, porém, o processo foi interrompido pelos advogados de Maluf, que entraram com um primeiro recurso na corte suíça. Os representantes do ex-prefeito argumentaram que as acusações contra ele no Brasil não tinham nenhuma relação com as supostas contas na Europa. Nesse momento, a administração de Marta Suplicy também contratou um advogado na Suíça, o deputado socialista Christian Grobet, para ajudar a acompanhar o caso. Os advogados de Maluf perderam na primeira instância e, em dezembro, recorreram à Corte Suprema suíça para evitar de todas as formas o envio dos documentos. Derrota Agora, os representantes de Maluf foram derrotados mais uma vez e não cabe apelação à decisão do tribunal. "A rejeição da apelação significa que podemos enviar os dados ao Brasil", afirmou ao Estado Folco Galli, porta-voz do Ministério da Justiça da Suíça. A decisão do tribunal não pode ser divulgada ainda publicamente, mas o dossiê IA 286/2003 indica que os argumentos dos advogados do ex-prefeito não foram suficientes convencer os juízes a impedirem que os dados cheguem ao Brasil. Wenger agora enviará o dossiê ao Ministério da Justiça da Suíça, que o entregará à Embaixada do Brasil em Berna. De lá, o documento segue para o Itamaraty, que entregará ao destinatário final: os procuradores federais. Além disso, Wenger poderá continuar com um inquérito criminal contra o ex-prefeito que, se avançar, poderá resultar no indiciamento do ex-prefeito por lavagem de dinheiro. Caso Maluf seja condenado, a Suíça poderia até mesmo publicar um mandado de prisão internacional contra ele, que seria válido também no Brasil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.