Suíça recomenda pressa em investigação de Maluf

Autoridades suíças recomendam que o governo brasileiro apresse o pedido de investigação, ao cantão de Genebra, sobre as contas que Paulo Maluf manteve no país entre 1985 e 1997. Isso, caso o Brasil queira, de fato, obter as informações o mais rápido possível. "Se toda essa história não se tratar apenas de discurso político, não haveria razão para deixar um suspeito sem ser investigado", afirma um funcionário do governo da Suíça. Ele alerta que, mesmo que o processo seja iniciado imediatamente, as conclusões podem demorar para surgir. "Algumas investigações estão ocorrendo já há seis anos na Suíça", ressalta. De acordo com a lei suíça, quem tem a competência para fazer a investigação sobre Maluf é a Procuradoria-Geral do cantão de Genebra, onde teria sido depositado o dinheiro do ex-governador, em uma conta no Citibank local. Mas, para que isso ocorra de forma mais rápida, o governo brasileiro deveria fazer uma solicitação oficial. Para um dos procuradores de Genebra, Jean-Bernard Schmid, "o tempo necessário para realizar a investigação dependerá do que o Brasil solicitar". Caso o Brasil manifeste a Genebra o desejo de conseguir informações sobre Maluf, terá que enfrentar uma forte burocracia. O País terá que preencher um formulário oficial do cantão de Genebra, anexar todos os documentos existentes sobre as suspeitas contra Maluf e ainda traduzir todas as informações para inglês ou francês. Outro problema que o Brasil poderá enfrentar é o fato de que o caso envolve vários países, já que o dinheiro teria saído da Suíça para o paraíso fiscal de Jersey. "Isso poderá dificultar ainda mais a investigação ", afirma o suíço. Por enquanto, o que a Suíça fez foi coletar informações sobre Maluf e enviar um dossiê com fortes suspeitas às autoridades de Genebra. Mas, em pleno verão europeu, a maioria dos procuradores está de férias e o processo somente deve voltar a ser analisado na semana que vem. A ajuda que o governo da Suíça presta a outros países na investigação de transações suspeitas faz parte de uma tentativa de reverter sua imagem como centro de lavagem de dinheiro. Somente no ano passado, 311 casos internacionais foram investigados. Cerca de 3% dos casos se referiam a suspeitos brasileiros, o mesmo volume de casos envolvendo israelenses e libaneses. Grande parte dos casos, 15%, se concentra na investigação de russos. Fraude é o principal motivo dos processos, seguido por lavagem de dinheiro. Suspeitas de corrupção representam apenas 4% dos casos.

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