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Suíça diz que Henrique Alves é suspeito de crimes de lavagem e corrupção

Suspeitas sobre o ex-ministro foram encaminhadas para autoridades brasileiras, assim como o caso do presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2016 | 12h26

GENEBRA - A Suíça declara que Henrique Alves, o ex-ministro do Turismo do governo de Michel Temer, é suspeito de crimes de " lavagem de dinheiro " e " corrupção passiva ". Ele foi obrigado a renunciar na semana passada. Mas era investigado desde fevereiro deste ano, antes mesmo de assumir seu cargo. 

O Estado revelou em sua edição de sábado que os suíços transferiram ao Brasil todos os documentos e extratos bancários envolvendo Alves. Ele foi o terceiro ministro da gestão de Michel Temer a cair e, em uma carta, explicou que não queria criar "constrangimentos" para o presidente interino. Na delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o executivo conta que deu propinas no valor de R$ 1,5 milhão para Alves, entre 2008 e 2014. 

Na Europa, fontes próximas ao caso confirmaram com exclusividade ao Estado que Alves manteve uma conta com depósitos que variavam entre US$ 700 mil e US$ 1 milhão. O dinheiro está bloqueado, mas o banco não teve seu nome revelado.

" O Escritório do Procurador Geral da Suíça confirma a abertura de um processo legal em fevereiro de 2016 contra Henrique Eduardo Lyra Alves sob suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva ", indicou o Ministério Público em Berna. 

A investigação começou em Berna, sob a suspeita de que a conta tenha sido alimentada por recursos de propinas. A conta de Alves, porém, é uma das mais de mil contas hoje bloqueadas pelos suíços em seus bancos locais relacionadas com a Lava Jato. 

Mas, para os suíços, o caminho adotado foi o mesmo seguido no caso do deputado Eduardo Cunha. Para a procuradoria suíça, não faria sentido processar o brasileiro, leva-lo a um julgamento em Berna e, em seguida, jamais conseguir sua punição. O Brasil não extradita seus nacionais. 

A ideia negociada com os procuradores no Brasil foi a de transferir o caso para que Alves, agora, seja investigado e julgado no próprio País. Para os suíços, a transferência do caso também permitirá que a Justiça no Brasil possa agir de forma rápida para garantir que as provas e mesmo os recursos não sejam perdidos.  

" Diante do fato de que Henrique Alves ser um cidadão brasileiro, ele não pode ser extraditado para a Suíça ", explicou o MP. " Por esse motivo, a Procuradoria pediu em março de 2016 para que o processo seja transferido ao Brasil ", disse. " Isso seria feito para permitir que o caso pudesse ser investigado e julgado por autoridades brasileiras ", completou.     

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