Suíça bloqueia R$ 2,9 bi em contas suspeitas relacionadas à Operação Lava Jato

No total, mais de mil contas em 40 bancos diferentes estão sendo examinadas pelos suíços

Jamil Chade, correspondente, SUÍÇA

17 de março de 2016 | 12h02

BERNA - A Suíça já bloqueou US$ 800 milhões (R$ 2,9 bilhões) em ativos em contas secretas relativas à corrupção envolvendo suspeitos investigados pela Operação Lava Jato. Desse total, o país europeu anunciou que vai repatriar outros US$ 70 milhões aos cofres brasileiro, além dos US$ 120 milhões que já foram enviados em 2015.

No total, mais de mil contas em 40 bancos diferentes estão sendo examinadas pelos suíços, que não deram detalhes sobre os donos das contas ou empresas envolvidas. 

Em março de 2015, quando os suíços anunciaram pela primeira vez o bloqueio de bens, um total de 300 contas e US$ 400 milhões haviam sido identificados. Naquele momento, US$ 120 milhões foram repatriados ao Brasil. 

Mas, segundo os suíços, as investigações avançaram, novas contas e novos envolvidos foram identificados e, no total, os ativos bloqueados dobrou em um ano. 

Desde março do ano passado, os suíços ampliaram as investigações para abarcar também a Odebrecht, o presidente a Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, João Santana e dezenas de outros suspeitos. 

Hoje, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se reuniu com o procurador suíço, Michael Lauber, em Berna para avaliar a cooperação bilateral. Na Operação Lava Jato, a decisão dos suíços em colaborar foi considerada como essencial para garantir que certas linhas de investigação pudessem caminhar. 

A Odebrecht contratou advogados na Europa para tentar frear a transmissão de dados ao Brasil. Mas, conforme uma decisão do MP suíço do dia 29 de fevereiro, as informações devem ser enviadas aos procuradores da Lava Jato. A Odebrecht, porém, tem até o final de março para recorrer.

Os suíços ainda abriram investigações contra três bancos locais por não terem implementado medidas suficientes de contrôle ao abrir contas envolvendo suspeitos.  Esses bancos podem ser acusados por colaborar com lavagem de dinheiro. 

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