Suíça abre investigação contra operadores do PMDB no esquema na Petrobrás

Alvo são transferências de recursos feitas a contas no país europeu por Fernando 'Baiano' Soares e João Augusto Henriques

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2015 | 12h43

CORRESPONDENTE / GENEBRA - A Suíça abriu investigações contra os operadores do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás. Ao Estado, o Ministério Público da Suíça confirmou que o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, e  João Augusto Henriques são alvo de "processos criminais" liderados pelo procurador-geral da Suíça, Michael Lauber.

Fernando Baiano foi preso em novembro de 2014 na Operação Juízo Final. Ele foi condenado a 16 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Na contratação de dois navios-sonda da Petrobrás, em 2006 e 2007, Baiano e o então diretor de Internacional Nestor Cerveró teriam cobrado "comissão" de US$ 40 milhões - pelo menos US$ 5 milhões teriam sido entregues, segundo o Ministério Público, ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O parlamentar, que foi denunciado na Lava Jato, nega.

Em depoimento, Fernando Baiano confirmou as declarações do empresário Julio Camargo, de que o presidente da Câmara teria se beneficiado de um suborno de US$ 5 milhões. Ele ainda disse em delação premiada à força-tarefa da Lava Jato que participou, em 2010, de uma reunião com o ex-ministro Antonio Palocci e com o então diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento) no comitê de Dilma Rousseff no qual teria sido discutido o acerto para uma doação ilícita de R$ 2 milhões para a campanha presidencial da petista. Palocci era o coordenador geral da campanha.

O processo na Suíça também foi aberto contra João Augusto Henriques, apontado como outro operador de propina do PMDB no esquema e preso na 19ª fase da Lava Jato. Henriques revelou como eram as indicações políticas na Diretoria Internacional, cota do partido segundo as investigações da força-tarefa. 

Delator. O Ministério Público da Suíça anunciou na semana passa que abriu investigações contra o ex-gerente da área Internacional da Petrobrás Eduardo Musa, novo delator da Operação Lava Jato e que também citou o presidente da Câmara. Seus ativos já foram bloqueados e procuradores tentam traçar o destino e a origem do dinheiro que alimentou suas contas. Outros envolvidos também passaram a ser investigados, mas seus nomes têm sido mantidos em sigilo.

No Brasil, Musa fechou um acordo de delação premiada e indicou que chegou a ter US$ 2,5 milhões no banco Cramer. Ele admitiu ainda ter usado o Credit Suisse e o Julios Baer. Musa relatou ter ouvido que "quem dava a palavra final" em relação às indicações para a Diretoria Internacional da Petrobrás era Eduardo Cunha. Segundo o delator, foi o próprio João Augusto Henriques, apontado como lobista do PMDB, que lhe revelou como eram as indicações políticas na área.

No total, a Suíça anunciou a existência de US$ 400 milhões bloqueados nas contas do país, entre eles o valor de Musa. Andre Marty, porta-voz do Ministério Público suíço, indicou que a investigação "foi aberta e que seus ativos foram congelados". 

A meta da investigação, agora, é saber quem recebeu e quem pagou as propinas às contas de Musa, além dos motivos pelos quais elas eram alimentadas. Uma das suspeitas é de que exista uma relação entre ele e a Odebrecht. Musa afirmou ao Ministério Público Federal que "por volta de 2008/2009" conheceu o Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da empreiteira Odebrecht no exterior. Ele disse que "acredita ter sido apresentado a Bernardo por Rogério Araújo, da Odebrecht".

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