MP da Suíça vê indício de propina paga pela Odebrecht e abre investigação

Ministério Público suíço anuncia que vai apurar se empreiteira brasileira repassou propina a ex-funcionários da Petrobrás em contas secretas abertas no país europeu, conforme indicam os depoimentos de dois delatores feitos à Justiça Federal brasileira

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 13h13

Atualizado às 23h43

Genebra - O Ministério Público da Suíça abriu inquérito para investigar indícios surgidos até agora de pagamentos de propinas por parte da empreiteira brasileira Odebrecht para executivos da Petrobrás em contas secretas no país europeu. Nesta quarta, a Procuradoria em Berna anunciou também a ampliação do processo envolvendo ex-funcionários da Petrobrás. Em um comunicado, os procuradores suíços indicaram que a decisão ocorre por causa da descoberta de pagamentos registrados entre a construtora e a estatal. 

“Com base nas descobertas feitas até agora, a suspeita é de que subsidiárias da Odebrecht pagaram propinas via contas suíças para contas em nome de ex-diretores da Petrobrás, também com contas na Suíça”, afirmou o MP em comunicado. A investigação apura lavagem de dinheiro, fraude e corrupção.

O Estado apurou que os suíços enviaram ao Brasil na segunda-feira um pedido de cooperação internacional e apontaram que as contas sob suspeitas implicam pelo menos dois ex-executivos da Petrobrás. Um deles seria Paulo Roberto Costa que, em sua delação premiada, indicou o recebimento de US$ 20 milhões da Odebrecht. Outro é Pedro Barusco. Ambos firmaram acordos de deleção premiada com autoridades do Brasil. 

A suspeita é de que o intermediário desses pagamentos seja Bernardo Freiburghaus, um operador que vive em Genebra desde a eclosão do caso e que chegou a fazer parte da lista vermelha da Interpol. Questionado pela reportagem, ele afirmou que “não existem provas” das acusações. Mas, nas delações premiadas, ele aparece como o elo entre os pagamentos e contas em bancos como o Julius Baer, Royal Bank of Canada e Banque Cramer & Cia. 

O operador fazia reuniões a cada dois meses com os executivos da Petrobrás e realizava depósitos a cada dois ou três meses, entre 2009 e 2013. Era ele quem mantinha o contato com a Odebrecht, verificava saldos e informava os clientes.

Freiburghaus, por ter nacionalidade suíça, não poderia ser extraditado ao Brasil. Mas o MP brasileiro já pediu que Berna colha seu depoimento e eventualmente confisque seus bens. Para a Operação Lava Jato, porém, o operador deixou de ser uma prioridade diante da impossibilidade de uma prisão sua no Brasil. Agora, a meta é identificar quem pagou a propina e quais benefícios foram garantidos. 

O inquérito contra a Odebrecht atinge os executivos da empreiteira brasileira, ainda que os nomes não tenham sido revelados. “O escritório do procurador-geral da Suíça confirma que uma de suas investigações se refere à empresa brasileira Construtora Norberto Odebrecht S/A, assim como a empresas associadas e pessoas”, diz o comunicado das autoridades, sem citar o nome dos envolvidos. 

Berna indicou que fez uma solicitação ao Brasil por uma assistência legal, iniciativa que chegou até Brasília na segunda-feira. Isso envolve pedir que a Justiça brasileira colha o depoimento de pessoas sob suspeita e mesmo indiciados que estejam vivendo no Brasil. Os suíços ainda solicitaram à Justiça brasileira a coleta de certas evidências documentais. 

Inicialmente, a Suíça já havia congelado US$ 400 milhões e identificou mais de 300 contas relacionadas com o escândalo de corrupção da Petrobrás, numa das maiores iniciativas já tomadas na história do país contra dinheiro suspeito. Berna já devolveu US$ 120 milhões ao Brasil e alerta que um total de mais de 30 bancos suíços foi usado por ex-executivos da Petrobrás e fornecedores para pagar e receber as propinas. 


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