Sudene substituirá guerra fiscal predatória, diz Lula

Ao anunciar em Fortaleza que a nova Sudene terá um orçamento três vezes superior ao da Agência do Desenvolvimento do Nordeste (Adene), reforçado com recursos dos fundos regionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma menção às divergências dos governadores em relação à proposta de reforma tributária. "Esse assunto (os fundos regionais) ainda está sendo discutido e eu pretendo resolver nos próximos dias. Digo isso e vejo os governadores - são todos gentleman mas nem tão quietos assim", afirmou o presidente. Ainda hoje, Lula volta a Brasília para uma reunião com o relator da reforma tributária, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Na quarta-feira à noite, o presidente irá se reunir com os cinco governadores que integram o grupo que negocia a reforma tributária com o governo. Para o presidente, a política de desenvolvimento a ser executada pela nova Sudene irá substituir no que chamou de "guerra fiscal predatória" existente hoje por "uma verdadeira política regional". Ele anunciou também que a nova Sudene vai funcionar com conselho deliberativo, integrado por ministros, representantes de empresários e dos trabalhadores, no qual os governadores terão força decisiva. O presidente disse ainda que pretende voltar este ano ao Nordeste para anunciar obras. Sem citar nomes, referiu-se à transposição de águas ao afirmar que "levar água para nove Estados é reconhecer dívida para todos os Estados do Nordeste".FurtadoLula prestou repetidas homenagens ao economista Celso Furtado, mas disse que não estava promovendo "uma volta ao passado". Lula qualificou furtado de "uma referência" e disse tratar-se do "economista latino-americano mais lido do mundo". Disse que, em vez de retorno ao passado, recriar a Sudene equivale a reatar o fio com o passado brilhante de Celso Furtado e sua equipe. O presidente disse que será retomado, na nova Sudene, o Conselho Deliberativo previsto originalmente por Furtado. Ao anunciar que nos próximos dias enviará ao Congresso o projeto de recriação da Sudene, Lula disse que o Legislativo saberá dar a prioridade merecida à votação dessa lei. Afirmou que a Sudene poderia ser recriada por outra medida legal pelo presidente da República (como, por exemplo, uma medida provisória), mas que fez questão de enviar proposta ao Congresso "para mostrar que o interesse (na Sudene) não é só do Nordeste, mas de todos os 175 milhões de brasileiros." Quase ao final do pronunciamento, Lula voltou a citar Celso Furtado, dizendo que o economista "não aceita a pobreza como fatalidade, e sim como problema a ser superado."

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