Sudam: MPF pedirá quebra de sigilo de 39 suspeitos

O Ministério Público Federal (MPF) vai pedir a quebra de sigilo bancário dos últimos cinco anos de 39 pessoas suspeitas de envolvimento em fraudes na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Entre elas, os ex-secretários-executivos do Ministério da Integração Nacional, Benivaldo Alves de Azevedo e Maurício Benedito Vasconcelos, além do ex-superintendente da Sudam, José Arthur Guedes Tourinho. Na semana passada, a Justiça Federal de Tocantins decretou a quebra de sigilo de outras nove pessoas, todas ligadas aos irmãos Soares, acusados de diversas irregularidades na concessão de financiamentos em Tocantins, Amapá e Pará.Os procuradores da República já tinham feito o pedido de prisão preventiva das 48 pessoas, mas a Justiça Federal deferiu apenas 27, e somente uma delas continua presa em Mato Grosso do Sul. O ministério Público Federal acredita que o esquema de fraudes na Sudam obedece a três seguimentos, sendo que o primeiro é operado por laranjas, empresários e intermediários. O segundo é dirigido por oito escritórios de consultoria que montam os projetos a serem financiandos pelo Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (Finam) e o último grupo é integrado por dirigentes e antigos dirigentes da autarquia e do Ministério do Desenvolvimento Nacional.O principal argumento dos procuradores são escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, onde são citadas as 48 pessoas. Em um determinado trecho, o nome de Benivaldo Azevedo é citado por Geraldo Pinto da Silva, um dos principais acusados pelo esquema de irregularidades dentro da Sudam, durante uma conversa com o empresário José Soares Sobrinho. "Ontem eu falei em Brasília, estava meio agitado lá, mas eu conseguí falar com o Benivaldo. Ele disse que a ordem do presidente da República é apurar aquelas empresas que o ACM tem em mãos", disse Pinto da Silva a seu interlocutor, na conversa grampeada pela PF. Benivaldo pediu demissão no início do mês, dois dias antes da denúncia ser revelada pela imprensa.Além de Benivaldo, o MPF pediu a quebra de sigilo de outro ex-secretário-executivo, Mauricio Vasconcelos, que também foi superintendente da Sudam, indicado pelo presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e de Arthur Tourinho, também ex-dirigente da Sudam, também indicado para o cargo pelo senador. Tourinho já estava respondendo a processo aberto pelo Ministério Público de Mato Grosso por causa da liberação de recursos para os projetos de José Osmar Borges no Estado. Os dois, além de Benivaldo, são citados pelos procuradores como integrantes do comando das operações de fraudes. Os três, no entanto, tiveram o pedido de prisão preventiva negado pela Justiça Federal.No pedido, os procuradores vão solicitar ainda a quebra de sigilo de 14 funcionários da Sudam, acusados de integrar o grupo denominado de operadores internos, formado por ocupantes de cargos de confiança ou de nível superior. Alguns deles também foram citados nas gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal. Além disso, outras oito pessoas poderão também ter o sigilo bancário quebrado. No pedido dos procuradores, eles são citados como operadores externos do sistema de fraudes e estão incluidos os nomes de Geraldo Pinto da Silva e Maria Auxuliadora Barra Martins, donos dos dois principais projetos de consultoria e de outras 14 pessoas citadas como operadores pontuais, laranjas e empresários ligados ao esquema.Na semana passada, a Justiça Federal de Tocantins decretou a quebra de sigilo de nove pessoas que possuem projetos irregulares no Estado e no Pará e Amapá. São todas ligadas a Romildo Onofre Soares - que também teve o sigilo quebrado - e que eram laranjas do esquema. Além de Onofre Soares, serão abertos os sigilos de seu filho, Ronaldo Soares, seus irmãos Pedro Antônio da Silva sobrinho, José Soares Sobrinho e Sebastião José Soares, além de Clodoaldo de Abreu Arruda, Ezequiel Nunes Costa e Sildely Feitosa Santana - que abriram as empresas Paraiso Agroindustrial de Alimentos Ltda, Frango Líder S/A e Refrigerantes Xui S/A, todas em Tocantins em seus nomes, mas eram gerenciadas por Romildo Onofre - e o contador Hilton Pereira Campos, responsável pela contabilidade do grupo. Ao todo, o grupo dos irmãos Soares recebeu R$ 18,1 milhões da Sudam.

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