Sudam: consultorias eram "portal da corrupção"

O interventor da Sudam, José Diogo Cyrillo, disse hoje que, quando assumiu a função, encontrou 12 escritórios de consultoria para elaboração de projetos credenciados. As análises revelaram que ali estava o ?portal da corrupção?. Cyrillo diz que determinou o descredenciamento de todos os escritórios, que também passaram a ser investigados pelo Ministério Público e a Polícia Federal. Cyrillo concedeu entrevista exclusiva, nesta manhã, à Rádio Eldorado/AM.O interventor, que assumiu a função no dia 21 de março, explicou que as investigações sobre a Sudam se dão em dois campos distintos, um dentro da entidade e outro, a cargo das autoridades judiciais: ?O que eu estou fazendo tem limitações e um escopo bem definido, diferentemente do Ministério Público Federal?, explicou. ?Eu estou investigando projetos, empresas e servidores, nos casos em que houve desvio de recursos à luz da regulamentação da Sudam. Não adentro na área penal?. Cyrillo afirmou que, uma vez descoberto indício de crime, o material é remetido ao Ministério Público e ao titular da ação penal, ?para propor perante o Poder Judiciário o pedido de responsabilização na área penal?. Mas o interventor enumerou algumas atitudes tomadas, dentro da própria Sudam, contra as irregularidades. Ele citou, como exemplo, o cancelamento, no último dia 12, de sete projetos em que havia desvio de recursos, no valor de cerca de R$ 190 milhões. No mesmo dia, foram enviadas 15 notificações para que empresários expliquem porque abandonaram projetos e as razões pelas quais desviaram recursos da ordem de R$ 350 milhões.Questionado sobre uma possível extinção da Sudam, o interventor disse que, apesar de tudo o que já descobriu, um país como o Brasil precisa ter instrumentos de incentivo. ?Todos grandes países têm ou tiveram mecanismos de fomento ao desenvolvimento regional, e nós também temos que ter?, afirmou.

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