Sudam cancela sete projetos de R$ 190 milhões

A Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) cancelou ontem a liberação de dinheiro para sete projetos beneficiados com incentivos fiscais. Os empresários serão processados na Justiça Federal para devolver os R$ 190 milhões que já receberam. "Eles terão de devolver tudo e ainda serão responsabilizados criminalmente", promete o interventor do órgão, José Diogo Cyrillo da Silva, que na segunda-feira entrega o resultado de duas auditorias feitas nesses projetos ao Ministério Público Federal.Segundo Cyrillo, a apresentação de documentos fiscais inidôneos, descaracterização dos projetos, e não cumprimento das metas físicas e financeiras foram os motivos que determinaram o cancelamento. Quatro das sete empresas que perderam os incentivos estão no Pará. As outras três estão localizadas no Amazonas, Amapá e Acre. No Pará, uma delas, a Suimpar, localizada em Benevides, município da região metropolitana de Belém, recebeu R$ 15 milhões em três anos para construir um frigorífico de abate de suínos e gado. Tudo o que se vê na indústria, porém, é uma obra inacabada. Os equipamentos, adquiridos no Rio Grande do Sul, estão corroídos pela ferrugem. A meta era gerar 300 empregos, mas apenas um vigia foi encontrado no local. A Arbol da Amazônia, outra empresa acusada de má aplicação do dinheiro público, recebeu nos últimos sete anos R$ 12 milhões da Sudam para produzir xarope de guaraná, mas não concluiu a implantação de seu projeto. O empresário Bernardino Henriques, dono da Arbol, afirmou estar surpreso com o cancelamento. "Eu emprego aqui 18 pessoas e produzo duas mil caixas de refrigerante por mês. Nunca recebi nenhum aviso da Sudam e estou arrependido de ter me beneficiado de um projeto de isenção do imposto de renda aprovado pelo próprio órgão", resumiu Henriques.Os advogados da empresa Metal Norte, outra reprovada pelos auditores da Sudam, informaram que vão acionar judicialmente o órgão por abalo moral. Eles disseram que a empresa teve isenção de imposto de renda até por quinze anos, para instalar uma indústria de laminação do alumínio. O projeto estaria totalmente implantado. A Camazon foi a quarta empresa paraense a ter seu incentivo cancelado. Apenas parte de seu projeto de produção de camarão estaria funcionando. Os donos da empresa, Jorge Augusto Oliveira de Souza e Silvio Herculano Oliveira, não foram encontrados para falar sobre o assunto.

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