Sucesso na China, Lula diz que não reconhece Taiwan

A atenção concedida pela imprensa chinesa à visita realizada recentemente pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva contrasta com o tom habitualmente objetivo e formal concedido aos demais líderes estrangeiros que desembarcam neste país. Somente a presença do primeiro ministro britânico, Tony Blair, recebeu maior deferência por parte dos chineses nos últimos tempos.Lula e o Brasil tornaram-se objetos de grandes reportagens exibidas pelas emissoras de TV chinesas e ocuparam grandes espaços nos noticiários das rádios e agências oficiais nacionais e internacionais do país. Além disto, sua chegada se transformou em manchete do jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCCh), o "Diário do Povo", e recheou com um encarte de cinco páginas o "China Daily", jornal oficial na língua inglesa.Nos bastidores da imprensa chinesa, diz-se que três fatos colaboraram muito para isto. O primeiro é a trajetória de vida dopresidente brasileiro, tida como exemplar para muitos chineses. O segundo é a confiança depositada por Pequim na solidificaçãodas relações de parceria estratégica sino-brasileiras e, finalmente, o recente acordo de cooperação firmado entre o Partido dosTrabalhadores (PT) e o Partido Comunista Chinês (PCCh). Para um experimentado jornalista chinês, a soma destes fatores garante a "necessária compreensão de um influente país acerca dos imensos desafios políticos e econômicos cotidianamente enfrentados pelos chineses".Lula deve aumentar ainda mais o prestígio que goza neste país. Na última mensagem que legou aos chineses - uma entrevista exclusiva que concedeu à Televisão Central Chinesa (CCTV, em sua sigla em inglês) e que foi ao ar neste domingo ? o presidente brasileiro foi direto ao assunto que mais os incomoda neste momento, ou seja, o futuro da problemática Taiwan. "Eu acho que o Brasil,ao completar os 30 anos de relações com a China, veio para dizer: Olha, nós reconhecemos uma só China, tendo por capital uma cidade chamada Beijing (Pequim)", afirmou o presidente.O presidente brasileiro também foi enfático ao falar sobre o futuro que ambiciona para a parceria estratégica sino-brasileira. "Nestaviagem, estamos dando uma demonstração que nós poderemos, se soubermos trabalhar, construir uma nova geografia comercial no mundo. Inclusive para que a gente possa ter uma força muito maior e uma participação mais eficaz na Organização dasNações Unidas e na Organização Mundial do Comércio, assim como em outros organismos multilaterais", disse Lula.Questionado pelos chineses, Lula falou sobre seu futuro pessoal. "Na verdade, não penso no meu futuro pessoal. Eu acho que um governante deve pensar na nação que governa. Eu estou convencido que o Brasil está dando o passo certo e no tamanho certo para resolver os problemas criados há muito tempo", afirmou o presidente.Ele também falou sobre seus sonhos aos chineses. "Sonho com a melhora da qualidade de vida do povo brasileiro. Eu sonho comuma participação mais efetiva neste mundo globalizado. Penso que vamos contribuir muito para democratizar as Nações Unidas.Eu penso que vamos contribuir muito com o comércio mundial quando os países ricos flexibilizarem o mercado para que os países emdesenvolvimento possam exportar mais.", declarou Lula.No encerramento da entrevista, Lula também foi direto. "Eu sonho há 30 anos e vou continuar sonhando. Espero que meu mandato possa dar uma grande contribuição para que a gente avance um pouco. Quando deixar o governo, eu espero contribuir para o que venha atrás de mim consiga ser melhor e fazer muito mais do que eu fiz", finalizou.

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