Sucessão na Câmara motiva ‘rebelião’

Estratégia do Centrão é evitar que presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), saia como fiador da PEC da Previdência e tentar adiar a escolha de tucano para a Secretaria de Governo

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2016 | 05h00

BRASÍLIA - A intenção de líderes do Centrão ao contrariar os interesses do governo no Congresso é evitar que o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), saia como o grande fiador da PEC da Previdência. Na avaliação de líderes do grupo, se a comissão especial for instalada ainda neste ano, como deseja o Palácio do Planalto, Maia aumentará seu cacife com Temer, tendo em vista a eleição para o comando da Casa em fevereiro do ano que vem.

A estratégia do Centrão também é tentar adiar a escolha do deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) para a Secretaria de Governo, vaga desde a saída de Geddel Vieira Lima do cargo. Para o grupo, a nomeação do tucano favorece Maia pois, segundo líderes do bloco, a escolha passou por acordo para fechar apoio de PSDB e PMDB à reeleição do presidente da Câmara. No acerto, peemedebistas ficariam com a 1.ª-vice-presidência da Casa na chapa de Maia, cargo que era almejado pelo PSDB.

Além do líder do PTB, Jovair Arantes (GO), o Centrão tem outros dois pré-candidatos à presidência da Câmara: os líderes do PSD, Rogério Rosso (DF), e do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB). O grupo tenta chegar a um consenso para lançar um só nome. O objetivo é apresentar o candidato único até o fim desta semana.

Planalto. Apesar de interlocutores de Temer admitirem preocupação com o movimento do Centrão e do PSB, a avaliação do Planalto é de que, mesmo com a “rebelião” em andamento, a matéria avançará. Auxiliares de Temer reconhecem que o clima de acirramento na base não é bom para o governo, mas destacam que são problemas pontuais e que o presidente está disposto a resolvê-los “na base do diálogo”.

No caso da ameaça de um possível desembarque do PSB da base do governo, segundo fontes do Planalto, trata-se de uma briga interna do partido. Após encontro pelo segundo dia consecutivo com Temer, o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (PE), que está no governo na cota do PSB, rechaçou a possibilidade de a sigla deixar a base. “Não é momento para esse debate”, disse. 

Segundo o ministro, é preciso respeitar as lideranças locais, mas a manifestação de atores não pode prevalecer. “Acho que é o momento de o PSB prestar apoio ao governo que nós ajudamos a instalar no País”, disse. “O Brasil vive um momento de dificuldade e não acredito que seja o momento para esse tipo de colocação, mas respeito”, completou.

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