Sucessão em SP tem briga tucana e PT indeciso

A menos de dois anos das eleições municipais, os principais partidos já discutem nomes para a disputa da Prefeitura de São Paulo. Enquanto aliados de José Serra e de Geraldo Alckmin disputam a indicação entre os tucanos, o PT busca um nome forte para desbancar a aliança entre DEM e PSDB.

DAIENE CARDOSO, GUSTAVO URIBE E GUSTAVO PORTO, Agência Estado

20 de janeiro de 2011 | 14h43

Por fora, o PSB tenta se colocar como terceira via e cogita o nome do deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP) como candidato à sucessão de Gilberto Kassab (DEM). Dono de boa relação com petistas e tucanos ligados ao governador Geraldo Alckmin, Chalita disse estar "muito tentado a aceitar" a disputa na capital paulista. A proposta de lançá-lo à sucessão de Kassab surgiu durante as conversas sobre a composição do ministério da presidente Dilma Rousseff.

O deputado federal foi sondado inicialmente sobre sua disposição para assumir o Ministério da Educação. Mas com a intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor da manutenção de Fernando Haddad na pasta, ele foi cogitado para o Ministério da Cultura, o que não empolgou o PSB. Chalita revelou que já tem o apoio da ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina para a empreitada.

"Ele é uma referência inequívoca, um nome muito competitivo", avalia o presidente do PSB-SP e secretário estadual do Turismo, Márcio França. O dirigente admite que o fato de Chalita "transitar bem" entre petistas e uma ala do PSDB poderia facilitar a negociação para um eventual apoio de PT e PSDB à sua candidatura. O próprio PSB tem relações de longa data com as legendas e compõe a base dos governos federal e estadual. "Não enxergamos nem PT nem PSDB como inimigos", reforçou França.

O sonho ainda distante do PSB seria lançar uma candidatura nos moldes da experiência vivida em Minas Gerais na eleição de 2008, quando Márcio Lacerda (PSB) ganhou a Prefeitura de Belo Horizonte com o apoio do então governador e atual senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-prefeito da capital mineira, o petista Fernando Pimentel, atual Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. "As coisas poderão acontecer, não necessariamente como em Belo Horizonte", afirmou França. O pessebista sabe que seria difícil convencer PT e PSDB a abrir mão de uma candidatura própria em São Paulo e apoiar um candidato em comum para disputar a sucessão municipal no próximo ano.

Como Chalita foi o segundo deputado mais votado no Estado (com 560 mil votos), conquistou a admiração da presidente e tem a amizade do governador Geraldo Alckmin, o PSB ainda alimenta uma pontinha de esperança. "Precisamos encontrar esses craques (Aécio Neves e Fernando Pimentel) aqui (em São Paulo) para fazer essa negociação", afirmou França. Mas, se depender de tucanos e petistas, um provável apoio a Chalita só poderia ser firmado num eventual segundo turno da disputa municipal.

PSDB

Após quase cinco anos sob o comando do DEM, o PSDB não quer abrir mão, em 2012, da Prefeitura de São Paulo, à frente da qual ficou apenas 455 dias, na administração do ex-governador José Serra. As lideranças da sigla avaliam como "praticamente nulas" as chances de apoiar um nome de outra legenda, mesmo um candidato de um partido aliado, como do DEM. A ala serrista do PSDB acredita que chegou a hora de cobrar a fatura do apoio indireto dado à reeleição, em 2008, do prefeito Gilberto Kassab (DEM), reivindicação contra a qual lideranças do DEM não se interpõem. Mesmo porque ninguém sabe qual será o tamanho da sigla em 2012.

Com a possível ida de Kassab para o PMDB, movimento que deve abarcar outros nomes do DEM em São Paulo, a sigla ficaria enfraquecida e não vislumbraria nomes de peso para o cargo. "O DEM deve se organizar em torno de um nome do PSDB", aposta uma liderança do partido, segundo a qual o favorito para substituir Kassab é o senador recém-eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), com o apoio de tucanos ligados a Serra. Se eleito prefeito, o parlamentar alçaria a vereadora paulistana Marta Costa (DEM) para a primeira suplência no Senado Federal, um motivo a mais para o apoio.

O senador do PSDB irá se deparar com concorrentes tucanos, que já iniciam articulações pelo posto de candidato do partido. Um deles é o secretário estadual de Energia, José Aníbal, que, de acordo com tucanos, manifestou o interesse a aliados em mais de uma oportunidade. Os dois já se enfrentaram em 2010 na vaga do partido ao Senado Federal por São Paulo, disputa vencida por Aloysio Nunes. Para 2012, Aníbal conta com o apoio de lideranças do PSDB ligadas a Alckmin, mas encontra bastante resistência entre aliados de Serra. O "plano B" dos alckmistas é o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, já sondado pelo governador para ser o candidato do partido à sucessão de Kassab.

Além de ter sido o deputado estadual mais votado, com 239 mil votos, o neto do ex-governador Mário Covas se distingue de Aloysio Nunes e de Aníbal por ter bom trânsito entre as alas tucanas e ser reconhecido por aliados de Serra como um bom nome para a disputa. "Ele é popular entre os eleitores e, sem dúvida, um dos nomes para 2012", reconhece um serrista. A vaga do PSDB à Prefeitura de São Paulo é vista ainda como um prêmio de consolação pela desistência de Bruno Covas da disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo, movimento realizado com a chancela de Alckmin para não criar atritos com o atual presidente da Casa, Barros Munhoz (PSDB).

PT

Se nomes surgem no PSDB e no PSB, o discurso padrão no PT é de que a disputa municipal está distante e que neste momento é prematuro falar em candidatos para 2012. "Tudo que eu falar não tem fundamento, nós vamos discutir esse assunto no final do primeiro semestre deste ano", desconversou o presidente estadual do PT, deputado estadual Edinho Silva. Além da ex-prefeita e senadora Marta Suplicy (PT-SP) e do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, tradicionais nomes petistas, surge ainda nos bastidores da disputa o nome do deputado federal Arlindo Chinaglia. O parlamentar já teria manifestado o desejo de disputar a Prefeitura de São Paulo.

É consenso que o partido tenha uma candidatura própria e, por isso, as chances de um novato ser o escolhido são pequenas. "É muito arriscado sair do zero", disse o vereador José Américo, líder da bancada do PT na Câmara Municipal. Também são pequenas, para não dizer nulas, as chances de o PT apoiar Chalita. Embora considerem o deputado federal "um bom nome" para a empreitada, Edinho Silva e Américo rechaçam a possibilidade do PT apoiar o PSB já no primeiro turno. "Podemos conversar, mas o PT terá candidato a prefeito, só não discutimos isso agora", reforçou Edinho. "No primeiro turno, não. Alianças só no segundo turno", concluiu Américo.

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