Subsecretária de Saúde de Salvador e assessora são presas

A subsecretária de Saúde de Salvador, Aglaé Amaral Sousa, e a consultora financeira da secretaria, Tânia Maria Pimentel Pedrosa, foram presas, na noite de sexta-feira, pela polícia baiana, acusadas de serem as mandantes do assassinato do subcoordenador de contabilidade da secretaria, Neylton Souto da Silveira, de 48 anos. Silveira, que era responsável pelo Fundo Municipal de Saúde e por pagamentos de serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS), foi morto por espancamento dentro do prédio da secretaria, no bairro do Comércio, em 7 de janeiro. Vinculadas ao PT, as servidoras foram denunciadas pelo um vigilante Josemar dos Santos, de 27 anos, que trabalhava na secretaria e confessou o crime - pelo qual teria recebido R$ 20 mil junto com um colega, Jair Barbosa da Conceição, de 40 anos. No depoimento, ele teria dito que os dois foram contratados para "dar uma lição" em Silveira, depois da suposta descoberta, pelo subcoordenador, de irregularidades no repasse de verbas. O juiz da 1.ª Vara do Júri, Cássio Miranda, determinou a prisão temporária das duas e a apreensão do computador de Tânia Maria - cumprida na mesma noite da prisão. Ambas foram exoneradas pelo prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PDT), também na noite de sexta-feira. Aglaé foi detida em casa, no bairro do Chame-Chame, e Tânia Maria em um hotel, no bairro do Rio Vermelho. Na Delegacia de Homicídios, para onde ambas foram levadas, elas negaram o crime e disseram desconhecer os seguranças apontados como autores do assassinato. "Não se pode dizer nem que foram os seguranças os autores do crime ainda - eles podem estar assumindo o crime a mando de alguém", aponta o defensor da subsecretária e da consultora, Ruy João Ribeiro. "As prisões foram arbitrárias, sem fundamentação." Defesa De acordo com Ribeiro, é "amador e leviano" pensar que Aglaé e Tânia Maria mandariam matar um colega dentro do próprio ambiente de trabalho. "Aglaé é médica psiquiátrica, professora universitária, tem um histórico de lutas importantes, como a antimanicomial, é vice-presidente do Conselho de Medicina da Bahia...", enumera. "E a Tânia goza de muita reputação nessa área de consultoria, já tendo atuado na prefeitura de São Paulo e no Ministério da Saúde (MS)". Paulista, a consultora está em Salvador há um ano e meio, indicada pelo MS para analisar contratos públicos, depois que o município passou a ser gestor pleno das verbas do SUS. Segundo Ribeiro, o crime envolve muitos interesses políticos e econômicos - e é preciso uma investigação mais profunda para que sejam apontados os verdadeiros culpados. "Silveira era responsável por pagamentos de R$ 25 milhões por mês, sem falar que vários cortes e realocações de verbas foram feitas nos últimos meses", afirma. "Claro que isso envolve pessoas influentes e poderosas de Salvador. Minhas clientes estão sendo usadas como bode expiatório." Ribeiro informou, na tarde de ontem, que está ajuizando ação contra o Estado, pelas prisões, e contra o município, pelas exonerações das servidoras. "Além disso, já impetramos pedido de habeas-corpus, que deve ser analisado amanhã." Neste domingo pela manhã, as acusadas foram transferidas para Camaçari - onde haveria condições melhores para que ficassem detidas -, mas durante a tarde, foram retransferidas para Salvador, sem que a polícia desse justificativa para as ações. Em nota oficial, a polícia afirma que as investigações sobre o crime prosseguem. "Todos os envolvidos no caso continuarão sendo investigados, para que a polícia possa extrair o máximo de informações que conduzam à motivação do crime", diz o comunicado.

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