Submarino nuclear deve sair em 2018

Previsão é do comandante da Marinha, que receberá verba adicional

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

25 Setembro 2007 | 00h00

Iperó - Com a liberação da verba adicional de R$ 130 milhões por ano pelo governo, a Marinha pode concluir em 2018 a construção do submarino nuclear brasileiro. A previsão foi feita ontem pelo comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, na visita do ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao Centro Experimental Aramar, em Iperó, a 125 km de São Paulo. De acordo com o almirante, a construção do submarino poderá ser feita paralelamente à instalação do protótipo em terra do reator nuclear que será usado no sistema propulsor da embarcação. "Se começarmos no ano que vem, caso seja a decisão do governo, podemos concluir o projeto em 10 anos." Em julho deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou as instalações do centro tecnológico da Marinha em Iperó e anunciou a liberação de cerca de R$ 1 bilhão - R$ 130 milhões por ano durante 8 anos - para a conclusão do projeto. Ontem foi a vez de o ministro da Defesa percorrer as instalações e confirmar os recursos. Ele disse que o presidente já determinou a inclusão, no orçamento de 2008, da primeira parcela. Os recursos, segundo ele, serão adicionais - fora do orçamento de custeio do ministério. Jobim defendeu a importância estratégica do programa nuclear e disse que o projeto de construção do submarino tem "alta relevância" para o País. O ministro viajou ao interior de São Paulo atendendo a determinação do presidente. Ao discursar na posse de Jobim, no dia 25 de julho, Lula disse que o ministro visitaria Aramar e veria um "motivo de orgulho para o povo brasileiro". Ao chegar, Jobim ouviu explanação sobre o projeto feita pelo diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, contra-almirante Carlos Passos Bezerril. Depois de plantar uma muda de jacarandá, percorreu cinco unidades do Centro, inclusive a fábrica de ultracentrífugas usadas para o enriquecimento do urânio. Dois modelos avançados desses equipamentos estão em testes. Na unidade de produção do hexafluoreto de urânio, soube que a montagem da usina parou na fase final por falta de verbas. A Marinha precisa de R$ 40 milhões para concluir a montagem. A construção do laboratório de geração de energia também será retomada com a verba adicional. As instalações vão abrigar o protótipo do reator do submarino, que pode também servir para a geração de energia. "É um reator de 11 megawatts, suficiente para iluminar uma cidade de 20 mil habitantes."

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