Subir mínimo é "pirraça" da oposição, diz Virgílio

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Arthur Virgílio, avisou hoje que o governo não vai dar "nem mais um real" para aumentar o salário mínimo, como quer a oposição. "Isso não é uma reivindicação. É um capricho, uma pirraça, uma malcriação", desabafou Virgílio, argumentando que um novo reajuste de R$ 10 "seria mais um rombo e o orçamento se tornaria inconfiável, deteriorando a confiança no Brasil". Arthur Virgílio disse ainda que o presidente só vai tomar uma decisão a respeito do projeto que corrige a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) depois do início do ano. O ministro advertiu que, caso o Congresso não aprove o orçamento este ano, o presidente Fernando Henrique não irá convocar os congressistas extraordinariamente depois do dia 7 de janeiro, quando termina a autoconvocação. Ele lembrou que 2002, por ser ano de eleições, é um ano curto e que o atraso na aprovação do orçamento prejudicará não só a base aliada, como prefeitos e governadores da oposição. Arthur Virgílio vinculou o comportamento da oposição ao discurso do ex-presidente argentino Fernando de la Rúa e avisou que eles estão fazendo um mal muito grande ao País. "Eles parecem que confiam tanto na política econômica deste governo, que perderam o medo da crise argentina", ironizou o ministro que considera esta atitude "um risco". Para o ministro, "o Brasil não está completamente sólido". "Ele tem vulnerabilidade , mas queremos que essa vulnerabilidade seja só nossa, sem interferência de problema dos outros", declarou ele, referindo-se à crise argentina que admite que ainda pode afetar o Brasil. "Apesar de tudo isso, o dólar continua caindo", acrescentou, o que significa que o Brasil está no rumo certo.Para Virgílio, Lula não passa confiança Sem poupar a oposição na tentativa de reajustar o mínimo, Arthur Virgílio disse que "Lula mostra que é muito sincero quando deixa claro que não é confiável". E prosseguiu: "Eles não estão preparados para governar. Eles perderam o medo da crise argentina", desabafou o ministro, que avisou que o "o governo não negocia sua sensatez". Virgílio avisou que continuará a manter contato com os líderes oposicionistas, apelando que eles votem. "Se o orçamento não for aprovado, a derrota não será da oposição, será do crescimento, da economia e do povo", acentuou o ministro. Ele salientou que o presidente Fernando Henrique Cardoso está atento a toda a movimentação do Congresso e adiou sua viagem para Pardinho, no interior de São Paulo, para acompanhar a votação do orçamento, que espera que ocorra até sexta-feira.

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