Suassuna nega fraudes e diz que está sendo ´massacrado´

Em três horas e meia de depoimento ao Conselho de Ética do Senado, o senador Ney Suassuna (PMDB-AL) negou qualquer envolvimento com a máfia das sanguessugas e garantiu não ter nenhum relacionamento com a família Vedoin, dona da Planam, principal empresa do esquema de superfaturamento de ambulâncias. Além de se defender, Suassuna disse ainda que há 131 dias vem sendo massacrado por veículos de comunicação do País.A família Vedoin garante que Suassuna sabia do esquema - o ex-assessor de Suassuna, Marcelo Carvalho, foi acusado pelo empresário Luiz Antonio Vedoin, dono da Planam, de ter recebido propina para intermediar emendas ao Orçamento da União que favoreceriam a compra de ambulâncias a preços superfaturados. O relator do processo, senador Jefferson Péres (PDT-AM), quis saber do parlamentar os motivos que o levaram a contratar Marcelo Cardoso Carvalho para trabalhar em seu gabinete.No depoimento, Suassuna negou também ter mantido um diálogo com o presidente da CPI das Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia, no qual o peemedebista teria dito ao petista que "90% dos parlamentares tira uma beirada das emendas". O diálogo foi relatado por Biscaia, em depoimento na semana passada ao Conselho de Ética. O senador disse que não sabe por que passou "a contar com a antipatia do presidente da CPI". "Espero que ele (Biscaia) pare com essa vaidade e caia na consciência. Ele está sob os holofotes e se acha dono do mundo. Esta é a terceira vez que esse cidadão bate em mim dizendo coisas que não devia dizer", afirmou Suassuna, no depoimento.Jefferson Peres disse que entregará seu parecer na semana que vem. "Mas acho difícil que, às vésperas das eleições, haja quórum para votá-lo."Mais depoimentosO conselho já ouviu o depoimento dos donos da Planam. Além de Suassuna, são suspeitos Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MS) - eles negam. Hoje, o órgão ouve ainda Hazenclever Lopes Cançado, chefe de gabinete de Malta, e José Luiz Cardoso, em nome de quem estaria registrado o carro emprestado ao senador pelo deputado acusado Lino Rossi (PP-MT).Também hoje, há acareação entre Luiz Antonio, Paulo Roberto, genro de Serys, e Ivo Spínola, genro de Darci, para acabar com contradição sobre participação da senadora. Darci não irá por problemas de saúde.NotificaçõesDepois de tentar por três vezes notificar pessoalmente deputados acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, o Conselho de Ética da Câmara publicará amanhã editais de notificação. Na segunda-feira, dia 11, o órgão entregou o documento a sete parlamentares, subindo para 51 o número de intimados. Mesmo assim, 16 serão avisados do processo pelo Diário da Câmara, pelo Diário Oficial da União e por jornais de circulação nacional.A CPI dos Sanguessugas pediu a cassação de 69 deputados, concluindo que havia evidências de envolvimento com a venda de ambulâncias e de equipamentos superfaturados, por meio de emendas ao orçamento. Desses, 2 renunciaram. Não foram intimados Almeida de Jesus (CE), Carlos Nader (RJ), Heleno Silva (SE), João Caldas (AL), Raimundo Santos (PA) e Ricardo Rique (PB), do PL; Edna Macedo (SP), Elaine Costa (RJ), Fernando Gonçalves (RJ), Íris Simões (PR) e Nilton Capixaba (RO), do PTB; e Enivaldo Ribeiro (PB), Irapuã Teixeira (SP), João Batista (SP), Marcos Abramo (SP) e Reginaldo Germano (BA), do PP.

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