STJ vai investigar envolvimento do Judiciário com o narcotráfico

Em reunião extraordinária realizada hoje pela manhã, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu abrir inquérito administrativo para investigar denúncias de envolvimento de integrantes do Judiciário com narcotraficantes. As denúncias sobre um esquema de compra de habeas-corpus para beneficiar membros do crime organizado resultaram de uma ampla investigação realizada pela Polícia Federal nos últimos três anos.Segundo a nota do STJ, o inquérito foi pedido pelo ministro Vicente Leal, um dos magistrados citados em conversas de traficantes gravadas pela polícia. "Reunido hoje, domingo, pela manhã, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, a requerimento do Ministro Vicente Leal, instaurar procedimento administrativo para apurar fatos noticiados, nos últimos dias, pelos meios de comunicação", diz a curta nota, assinada pelo presidente da Corte, ministro Nilson Naves. As denúncias atingem também o desembargador federal Fernando Tourinho Neto.Esta é a primeira vez que o STJ instaura um procedimento desse tipo. Na próxima semana, será nomeado um ministro-relator para o caso, que será julgado pelo Conselho de Administração do STJ, integrado por 15 ministros.O deputado Pinheiro Landim (PMDB-CE) supostamente liderava o esquema que beneficiava o traficante Leonardo Dias Mendonça, entre outros. Também são apontados como envolvidos o filho do desembargador Eustáquio Silveira, do TJ-DF, Igor Silveira e sua mulher, Vera Carla Cruz, juíza federal. Igor é suspeito de intermediar as negociações porque aparece em diversas gravações da PF, ora conversando com Pinheiro Landim, ora com advogados ligados aos traficantes. Nas conversas com vários interlocutores, há indícios de que o parlamentar teria recebido US$ 100 mil para libertar Ecival de Pádua Santomé e Amarildo de Oliveira Beirigo. O tráfico e suas conexões

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.