STJ suspende julgamento do caso de Eldorado dos Carajás

O julgamento dos 149 policiais militares acusados de matar 19 trabalhadores sem-terrra no Pará, em abril de 1996, está suspenso por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Hoje o ministro Jorge Scartezzini concedeu liminar num mandado de segurança em favor de Alderino Alves Pereira, pai de um militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Oziel Alves Pereira, morto naquela chacina. Agora, o julgamento, previsto para começar nesta segunda-feira,8, só será realizado depois que as Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Pará julgar o pedido de suspeição da juíza da 1.ª Vara penal de Belém, Eva do Amaral Coelho, que presidirá o julgamento. o MST acusa a juíza de estar agindo com parcialidade na condução das providências para a instalação do Tribunal do Júri. Com isso, diz o MST, ela estaria favorecendo os militares, principalmente ao negar-se a incluir no processo o laudo do perito Ricardo Molina, da Unicamp, no qual demonstra ter sido a PM quem deu o primeiro tiro no conflito que resultou nas 19 mortes. Em sessão realizada na última segunda-feira, o TJ do Pará, por 13 votos a 1, mandou a juíza incluir o laudo no processo. A direção do MST comemerou a decisão do STJ, afirmando que ela foi uma vitória daqueles que buscam a verdade dos fatos no julgamento. "Nós sempre defendemos um julgamento sério e transparente", disse3 o advogado do MST, Carlos Guedes Amaral. A juíza Eva do Amaral não foi localizada para comentar a decisão do STJ.

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