STJ revoga prisão de acusado de lavagem de dinheiro

O prisão preventiva do doleiro Albert Youssef, um dos acusados de participar da maior operação de lavagem de dinheiro já descoberta no Brasil, foi revogada hoje, por unanimidade, pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A prisão preventiva de Youssef havia sido decretada pela Justiça do Paraná, por causa das acusações de envolvimento do doleiro com a lavagem do dinheiro oriundo da corrupção na prefeitura de Londrina, no norte do Estado.Youssef e mais dois doleiros - Antônio Carlos Neri Romero e Eroni Miguel Peres, que também tiveram a prisão preventiva revogada - são acusados de participar da lavagem de parte dos R$ 90 milhões que teriam sido desviados, da prefeitura de Londrina, por um grupo encabeçado pelo prefeito Antônio Belinati, cassado há dois anos.Os ministros do STJ justificaram a revogação da prisão preventiva porque uma das justificativas para sua decretação foi o "clamor popular". Durante o processo de investigação da corrupção em Londrina, que culminou com a cassação de Belinati, a cidade viveu meses de convulsão política, com manifestações públicas quase diárias.Os três doleiros e mais sete pessoas, entre eles funcionários graduados do Banco do Estado do Paraná (Banestado) foram denunciados pelo Ministério Público Estadual por formação de quadrilha "com o objetivo de estabelecer a confecção de documentos falsos ou a adulteração de documentos verdadeiros, a forjada criação de empresas inexistentes, a abertura ilícita de contas bancárias em nome de empresas fraudulentas e a movimentação, nessas contas, de dinheiro proveniente de crimes contra a Administração Pública ou de outras fontes ilícitas, com a finalidade de dissimular a sua origem criminosa".Segundo a denúncia, a base das operações seria a Casa de Câmbio Youssef, de propriedade de Youssef, tratado na denúncia do Ministério Público como "líder da organização criminosa". Os doleiros tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça de Londrina. A prisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Desde abril deste ano a prisão estava suspensa por força de liminar concedida pelo STJ, impetrada junto com o pedido de habeas-corpus julgado hoje.Com a decisão de hoje, eles garantem definitivamente o direito de acompanhar ao processo em liberdade, mas continuam obrigados a comparecer a todos os atos da instrução do processo.A maior lavagemYoussef é apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos principais envolvidos na mega-operação de lavagem de dinheiro ocorrida entre 1996 e 1997 na região de Foz do Iguaçu (PR), cidade que faz fronteira com o Paraguai. Durante o período, foram lavados cerca de R$ 12 bilhões, envolvendo mais de 30 mil pessoas, entre donos do dinheiro e "laranjas" utilizados para enviá-lo para fora do país.De acordo com o Ministério Público, este dinheiro seria originário da corrupção, do tráfico de drogas, de armas e outros negócios ilícitos. A Polícia Federal antecipou, na semana passada, que parte do dinheiro desviado da Sudam teria sido lavado através deste esquema.Youssef teria manipulado grande parte deste dinheiro em quarenta contas que mantinha no Banestado em Londrina, todas elas abertas em nomes de laranjas.

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