STJ abrirá sindicância sobre integrante do TCE

Suspeito de participação no esquema de pagamento de propina pela Alstom a integrantes do governo tucano paulista, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Robson Marinho, será agora investigado por uma sindicância no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação será aberta a pedido do Ministério Público Federal, que encaminhou um ofício a Brasília solicitando providências cabíveis sobre Marinho. Ele tem foro privilegiado por ser integrante do TCE.Há 20 dias, Marinho admitiu em entrevista ao Estado que viajou para a França em 1998 para assistir aos jogos finais da Copa do Mundo de futebol com despesas pagas pelo grupo Alstom, cujos contratos ele avaliou depois. Documentos apreendidos pelo Ministério Público da Suíça mostram bilhete com as iniciais "R.M.", identificadas como de um "ex secrétaire du governeur" (ex-secretário do governador). O mesmo papel revela existência de comissão de 7,5% do valor em negociação."Realmente, nesse período (do governo Covas), R.M. sou eu. Mas nunca tive ingerência em contratos firmados pelo governo. Eu fazia a coordenação política na Casa Civil, tinha relacionamento com deputados, prefeituras, partidos e sociedade civil. Quem fazia o relacionamento com empresas era a Secretaria de Governo", explicou.A Alstom é investigada na Suíça, França e Brasil por supostos pagamentos de propina a integrantes dos governos paulista e brasileiro para obter contratos. Cerca de R$ 13,5 milhões teriam ido parar em contas de seis offshores que tiveram ligações com políticos do PSDB. Marinho é conselheiro do TCE desde 1997. Foi coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas em 1994 e chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997. Procurado ontem, o conselheiro não retornou as ligações.

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