Sthephanes promete ajudar a pequenos produtores

O novo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse nesta sexta-feira que vai cumprir a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para centrar suas ações "nos (produtores) que não têm condições, para dar a eles a possibilidade de acesso à produção e ao mercado". O ministro não considerou o pedido um recado indireto à bancada ruralista e aos grandes produtores o fato de Lula afirmar que não fará um governo para os que gritam mais e os que estão na Câmara. "Não penso assim, mas acho que a visão social que o presidente sempre teve é corretíssima", opinou o ministro. O nome de Stephanes sofreu resistências dentro da Comissão da Agricultura, que pretendia emplacar o deputado federal Moacir Micheletto (PMDB-PR) para o cargo. O ministro disse que não foram todos os deputados do setor os contrários ao seu nome e sim apenas alguns membros "que tinham suas razões e eu vou respeitá-las; mas já estou mantendo contato com todos", disse Stephanes. Ele prometeu governar com diálogo e ainda ouvir todos antes de tomar decisão. "Sou reservado, tímido, mas tenho uma capacidade de conversar e de ouvir, principalmente", completou. O ministro considerou "contraditórias" as informações de que o governador Blairo Maggi (PR-MT) teria vetado seu nome para o Ministério da Agricultura. Stephanes revelou que irá jantar com o governador nesta noite. "Está tudo tranqüilo e acho que minha posição é manter entendimento com todas as áreas, evidentemente sem esquecer a recomendação do presidente que é extremamente importante de olhar para os que mais precisam", reafirmou Stephanes. O ministro confirmou a manutenção de Silvio Crestana na presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a pedido do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, com o apoio do ex-ministros Guedes e Rodrigues. UsineirosReinhold Stephanes disse que desconhece e que não cabe a ele comentar as indenizações de R$ 10 bilhões pedidas por usineiros na Justiça, como ressarcimento por supostos prejuízos decorrentes do congelamento, pelo governo, dos preços do álcool e do açúcar na década de 80. "Não tenho conhecimento dela (dívida) e não me cabe avaliar", afirmou Stephanes, logo após tomar posse em Brasília (DF).Apesar de elogiar o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro para o País, Stephanes disse que "as únicas preocupações que têm de ser tomadas são as com o meio ambiente e com a competição com as outras culturas". O ministro lembrou ainda que estava no Ministério da Agricultura quando foi lançado o Proálcool, em 1975. "Eu participei do início dessa história", afirmou.Stephanes disse ainda que o governo "já tem política em relação ao etanol e em relação ao biodiesel" e que caberá a ele operacionalizar aquilo que cabe ao Ministério da Agricultura. "já que há várias instituições de governo na operacionalização dessa política", concluiu. TransgênicosO ministro evitou novamente polemizar sobre a questão do cultivo de lavouras transgênicas no País. Ao ser questionado, logo após sua posse, sobre qual seria sua posição em relação ao tema, Stephanes disse que "o ministro não pode e nem deve ter posição própria e nem regional. Tem de cumprir a legislação, seguir as regras do governo e a política". Stephanes não deixou claro, no entanto, se o termo "regional", dito por ele em sua resposta, seria uma referência à posição contrária do governador Roberto Requião (PMDB-PR), a quem o novo ministro é ligado politicamente e de quem obteve o apoio para assumir a vaga no comando da Agricultura. Stephanes reafirmou ainda existir uma lei e uma política governamental sobre os transgênicos e ainda "uma Comissão (CTNBio) que cuida disso", concluiu. Com Leonencio Nossa e Leonardo Goy

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