STF vetou a CPI acesso a dados que levaram à prisão de Dantas

Em 2005, governistas aprovaram requerimento para ter acesso a HD, mas Dantas conseguiu que fosse vetado

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 18h51

As informações que permitiram à Polícia Federal prender nesta terça-feira, 8,  o banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, poderiam ter vindo à tona há três anos, durante as investigações das CPIs dos Correios e do "Caso Mensalão". Em 2005, fragilizada pelo escândalo do mensalão, a base do governo tentou revidar os ataques da oposição, investigando o banqueiro e possíveis ligações com integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso, na época das privatizações das teles.   Veja  também: MP e PF pediram prisão de petista, mas juiz negou Leia a íntegra da nota do Ministério Público Federal Imagens da Operação Satiagraha Opine sobre a prisão de Dantas, Nahas e Pitta  PF prende Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas Entenda as acusações contra Dantas e Nahas Defesa diz que Dantas foi preso por vingança Mandados de prisão atingem familiares e funcionários de Dantas As ações da Polícia Federal no governo Lula Os 40 do mensalão   Os governistas conseguiram nas CPIs dos Correios e do Mensalão aprovar um requerimento para ter acesso ao disco rígido (HD) de um computador do Opportunity, apreendido pela PF durante a operação Chacal, que investigou o esquema de espionagem da Kroll Associates a membros do governo federal. Esse é o mesmo disco rígido que alimentou as investigações da PF que acarretaram a Operação Satiagraha, deflagrada nesta terça-feira.   Depois de aprovado o requerimento , Dantas recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que as informações fossem mantidas sob sigilo. Dois dias depois de protocolado o pedido - um mandado de segurança -, a ministra Ellen Gracie concedeu liminar, vetando o acesso da CPI ao material. A ministra pediu aos dirigentes da CPI as justificativas para o pedido de quebra do sigilo dos dados do HD. A CPI respondeu três semanas depois, mas Ellen não estava convencida da relação de Dantas com Valério, mesmo com os documentos obtidos pelas comissões que mostravam pagamentos vultosos de empresas controladas pelo banqueiro para as agências de publicidade.   Mais uma vez, Ellen Gracie manteve o sigilo e pediu informações sobre a relação de Dantas com os fatos investigados pela CPI. Desta vez, de acordo com informações do Supremo, os integrantes da comissão não responderam. Disputas nos bastidores entre governistas e oposicionistas levaram a CPI a desistir das investigações.   Porém, o sigilo das informações valia apenas no Supremo. Longe das disputas políticas do Congresso, o Ministério Público Federal em São Paulo, que ficou responsável pela investigação, conseguiu aval da Justiça Federal para ter acesso ao disco rígido. Ao analisar os dados, o MP e a PF identificaram indícios de gestão fraudulenta, operação ilegal de instituição financeira, evasão de divisas, uso indevido de informação privilegiada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha.

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