STF processa ex-governador de RR

Neudo Campos é acusado de comandar esquema que teria desviado cerca de R$ 70 milhões entre 1998 e 2002

Anderson Vasconcelos, BOA VISTA, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2008 | 00h00

O deputado federal Neudo Campos (PP-RR), ex-governador de Roraima, responderá ação penal no Supremo Tribunal Federal por peculato e formação de quadrilha. O STF aceitou ontem, por unanimidade, as denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o parlamentar e outros envolvidos no caso conhecido como "escândalo dos gafanhotos". Ele e mais seis pessoas vão responder pelos supostos crimes.O ex-governador foi apontado pelo MPF como mentor de um esquema que desviou cerca de R$ 70 milhões de verbas federais entre 1998 e 2002 por meio da suposta inclusão de funcionários-fantasma na folha de pagamento do governo.Em entrevista por telefone ao Estado, o deputado federal disse que é vítima de perseguição política. "Sou absolutamente inocente e acredito na Justiça Federal e no Supremo Tribunal Federal. Essa denúncia contra mim e essa pessoas que dizem envolvidas não procede", afirmou.Questionado sobre os supostos "perseguidores", Campos preferiu não citar nomes. "Ainda não é hora. Minha preocupação agora é com o julgamento e, claro, a defesa", justificou o parlamentar. Caso seja condenado, Neudo pode passar de um a três anos na prisão por formação de quadrilha e de 2 a 12 anos por peculato - apropriação indevida de dinheiro ou bens públicos por funcionário público para proveito próprio ou de terceiros.Conforme denúncia do Ministério Público, o então governador e seus aliados políticos arregimentavam "laranjas", geralmente pessoas sem instrução, para figurar como funcionários da empresa Norte Serviços de Arrecadação e Pagamento Ltda (NSAP). O dinheiro repassado aos funcionários era, posteriormente, dividido entre o governador e outros envolvidos no esquema, ainda segundo as investigações.Além do deputado, responderão à ação penal o então diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Carlos Levischi, e a secretária de Administração, Diva da Silva Briglia.

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