STF ouve defesa de pessoas ligadas a Marcos Valério

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, abriu a quarta sessão do julgamento do processo do mensalão. Nesta terça-feira as defesas de quatro pessoas ligadas ao publicitário Marcos Valério, acusado de ser o operador do esquema de compra de apoio parlamentar no Congresso durante o governo Lula, farão suas sustentações orais por uma hora cada um.

RICARDO BRITO E EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

07 de agosto de 2012 | 14h41

Pela ordem, são os defensores de Cristiano Paz, sócio de Marcos Valério; do advogado Rogério Tolentino; da ex-diretora financeira de empresas de Valério, Simone Vasconcelos, e da funcionária do publicitário, Geiza Dias. Também terá uma hora para falar o advogado de Kátia Rabello, ex-dirigente do Banco Rural, instituição envolvida no esquema em supostos empréstimos fraudulentos para abastecer o mensalão, de acordo com o Ministério Público Federal.

Em linhas gerais, a defesa dos quatro vai sustentar que os empréstimos realizados eram regulares e que não havia compra de apoio de parlamentares. No caso de Simone e Geiza, a defesa argumentará ainda que as funcionárias apenas cumpriam ordens de Marcos Valério.

A defesa de Kátia Rabello também deve afirmar que os empréstimos eram regulares. A Procuradoria Geral da República afirma que Kátia negociava os empréstimos que alimentaram o esquema para depois tentar obter vantagens na liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco.

Ontem, ocorreu o primeiro dia de apresentação das defesas dos 38 réus. Foram à tribuna os advogados de José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério e Ramon Hollerbach. As defesas de Delúbio Soares e de Marcos Valério negaram o mensalão, mas admitiram o uso de caixa 2 para campanha eleitoral.

Provas demais

O ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, advogado da ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello, disse que os autos trazem provas para absolver sua cliente no processo do mensalão. Dias será o último a falar na sessão desta Terça-feira. "Vou mostrar todas as inverdades que o Ministério Público disse da minha cliente. Não é questão de não ter prova para condenar, existem provas demais para absolver", afirmou Dias.

Ele sustentará que os empréstimos concedidos pelo banco a empresas de Marcos Valério e ao PT são legais. "Existem laudos da Polícia Federal que atestam isso." Dirá ainda que as movimentações acima de R$ 100 mil foram comunicadas aos órgãos de controle e que o banco tinha a identificação de todos que receberam dinheiro na boca do caixa.

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