STF nega pedido, e Protógenes irá depor na CPI dos Grampos

Delegado alegou que não podia faltar no curso da PF; depoimento está marcado para esta quarta às 14h30

Gisele Silva, do estadao.com.br,

06 de agosto de 2008 | 11h06

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Menezes Direito, decidiu na manhã desta quarta-feira, 6, que o delegado da Polícia Federal  Protógenes Queiroz terá de depor à CPI dos Grampos às 14h30. O advogado de Protógenes entrou com um mandado de segurança na noite de terça para que o depoimento fosse adiado para depois de 25 de agosto. O delegado, que comandou a Operação Satigaraha, alegou que não pode faltar no curso da Academia de Formação da Polícia, que terminará apenas no dia 22.   Veja também: CPI nega pedido de adiamento do depoimento de Protógenes Entenda como funcionava o esquema criminoso  As prisões de Daniel Dantas   A convocação de Protógenes foi aprovada no mês passado. Os deputados querem saber se durante as investigações comandadas por ele foi detectado grampo ilegal por parte dos investigados, entre eles Daniel Dantas. Protógenes recorreu ao STF após a recusa do presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), em adiar o depoimento. "O doutor Protógenes não está se furtando a comparecer, muito pelo contrário. Mas ele não pode ter uma única falta no curso, sob o risco de ser reprovado. Um novo curso só poderia ser feito daqui a 3 ou 4 anos", afirmou Andrade.   O delegado foi afastado da Satiagraha pela cúpula da PF. Oficialmente, sua saída se deu em razão de um curso de aperfeiçoamento na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Mas nos bastidores setores da própria PF e do governo avaliaram que ocorreram excessos na operação, que acabou provocando a prisão de 18 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.   O presidente da CPI nem chegou a colocar o pedido de Protógenes em votação no plenário da comissão. Na condição de responsável pela condução dos trabalhos, simplesmente indeferiu o pedido alegando que a desculpa não é aceitável. "Ele foi convocado, portanto é obrigado a comparecer. Não estamos impedindo o delegado de fazer seu curso, mas a CPI é prioridade", disse Itagiba.   Sigiloso   Emissários de Protógenes avisaram que dificilmente o delegado poderá a responder aos questionamentos dos deputados. Ele deverá alegar sigilo nas investigações para não responder às perguntas. Tanto Protógenes quanto qualquer integrante da CPI podem ainda requerer que o depoimento seja fechado, ou seja, sem acesso da imprensa. O advogado do delegado disse ao Estado não saber se o cliente utilizará esse recurso caso não consiga direito a faltar hoje.   (Com Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo)    

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