STF fará reunião reservada nesta tarde para discutir mensalão

Pedido de abertura de processo sobre o caso começa a ser julgado nesta quarta e deve terminar na sexta

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

21 de agosto de 2007 | 16h14

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, convidou nesta terça-feira, 21, os outros ministros do STF para discutir os procedimentos da sessão desta quarta-feira, quando começa a ser julgado o pedido de abertura de processo sobre o caso mensalão. Nesta reunião, de caráter reservado, os ministros vão, segundo assessores, trocar idéias para facilitar o andamento das sessões, com previsão de término nesta sexta-feira. Os ministros consideram que a série de sessões, além de histórica, é rara pelo número de indiciados: 40 no total.   Veja também:   Quem são os 40 do mensalão  Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram  Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão  Veja o flagra de Marinho    Promotores do DF propõem ações contra mensaleiros   Nesta quarta, a partir das 10 horas, o ministro relator do caso, Joaquim Barbosa, iniciará a leitura do relatório de 50 páginas. Depois da leitura do relatório, o Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresentará os argumentos da denúncia que fez contra os indiciados. A partir daí, será aberto espaço para os advogados de defesa dos acusados. Até o momento, 19 advogados já se credenciaram para participar das sessões. Em seguida, o ministro Joaquim Barbosa lerá o seu voto sobre o pedido de abertura de processo. Segundo ele, seu voto terá cerca de 400 páginas. Barbosa será o primeiro dos ministros a votar. A série de sessões termina na sexta-feira ou na segunda-feira da próxima semana, se for necessário estendê-la.   Julgamento   Entre os dias 22 e 24, o STF vai julgar a denúncia contra o esquema de financiamento irregular para campanhas do PT e aliados, que abalou o governo com queda do ministro da Casa Civil José Dirceu, homem forte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 1º de janeiro de 2003 a 16 de junho de 2005 .   Caberá à corte acatar ou não a acusação feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contra os envolvidos. Denunciado em 2005, o mensalão envolve 40 pessoas. Além de Dirceu, outros nomes como o do deputado José Genoino e do ex-publicitário Marcos Valério aparecem na ação. A organização foi classificada pelo procurador-geral como uma "quadrilha", que se especializou em "desviar dinheiro público e comprar apoio político".   Oito tipos de crimes são citados na denúncia: formação de quadrilha, falsidade ideológica, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas.   Mensalão   O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério.   Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.

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