STF determina abertura de inquérito contra aliado de Renan

O senador Wellington Salgado é suspeito de sonegação fiscal em valores que chegariam a quase R$ 8 milhões

Felipe Recondo, do Estadão,

08 de outubro de 2007 | 20h25

Fiel escudeiro do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) terá de deixar um pouco de lado a crise do aliado para cuidar dos próprios problemas. Nesta segunda-feira, 8, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, determinou a abertura de inquérito penal contra o senador. Na decisão, o ministro encaminhou à Polícia Federal pedido para que o senador seja chamado a depor no prazo máximo de 60 dias. Veja também:Oposição reage e Renan será alvo de 5º processoCronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Salgado, suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa, é suspeito da prática de crime contra a ordem tributária. De acordo com as investigações, o senador teria sonegado impostos quando era diretor da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura (Asoec). A suspeita é de que o valor chegaria a R$ 7,7 milhões entre maio de 2000 e dezembro de 2002. De acordo com as informações do inquérito, a associação descontava o imposto de renda dos professores contratados e prestadores de serviço, mas não repassava o dinheiro à Receita Federal. Este é o segundo inquérito aberto contra o senador. O primeiro também apura se Wellington sonegou o imposto de renda quando dirigiu a Asoec. Este inquérito é relatado pela ministra Cármen Lúcia, foi aberto na segunda-feira passada e apura a sonegação de R$ 4,1 milhões em tributos.  Nos dois casos, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, deu parecer favorável à abertura de inquérito.  O senador afirmou que a dívida foi gerada pelo atraso em duas parcelas do Parcelamento Especial (Paes), programa de refinanciamento de dívidas tributárias. "Eu não sou sonegador, nem a empresa. Sonegador é aquele que esconde o problema. Desonesto seria se eu não declarasse isso", disse. Salgado afirmou que seus advogados estudam uma forma de parcelar essa dívida para pagá-la. "Estou inadimplente, tenho e vou pagar". Agora, a PF cumprirá diligências que serão determinadas pelos ministros do STF. Depois, as informações serão encaminhadas ao Ministério Público, que decidirá se denuncia ou não o senador. Se for denunciado e o STF concordar com a decisão do MP, Salgado deixará de ser investigado e passará a ser réu em ação penal.  Assim como Renan, Salgado pode ser representado no Conselho de Ética pelo PSOL. O problema é que os fatos investigados são anteriores ao mandato, o que levaria ao arquivamento do processo. "Vamos analisar o caso. Se houver condições dessa representação ser aceita, nós a faremos", afirmou o senador José Nery (PSOL-PA). 

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