André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

STF decide se Cunha vira réu pela 2ª vez na Lava Jato nesta quarta

Ele é acusado de manter contas secretas na Suíça com dinheiro de propina da Petrobrás, parte da investigação da Lava Jato

Luciana Amaral, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2016 | 10h51

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quarta-feira, 22, a segunda denúncia contra o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele é acusado de manter contas secretas na Suíça com dinheiro de propina da Petrobrás, parte da investigação da Lava Jato. A sessão está marcada para as 14h.

A ação foi movida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em março deste ano. Se aceita, Cunha pode responder por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O peemedebista já é réu em uma ação penal da operação no tribunal por ser suspeito de ter recebido pelo menos US$ 5 milhões de propina por contratos da Petrobrás na África.

Para analistas do STF, o ministro e relator da Lava Jato no tribunal, Teori Zavascki, tem mais motivos para a abertura do processo do que quando acatou a primeira denúncia devido à mulher do deputado ter virado ré.

No ano passado, Cunha negou manter contas não declaradas na Suíça em depoimento à CPI da Petrobrás, mas o Ministério Público do país enviou documentos que indicam o contrário. O Banco Central do Brasil ainda fez relatório estabelecendo multa para o casal Cunha por não terem declarado recursos no exterior à Receita entre 2007 e 2014.

Declarações após silêncio. Em entrevista coletiva a jornalistas nesta terça-feira, 21, em Brasília, Cunha negou renunciar e disse "não ter o que delatar". A declaração aconteceu mais de um mês após a última entrevista. Ele está proibido de circular pela Câmara dos Deputados.

Sobre a CPI da Petrobrás, ressaltou que foi criada por ele e que quando foi interrogado "foi de maneira espontânea para prestar todos os esclarecimentos". O presidente da Câmara afastado voltou a afirmar que nunca manteve depósitos na Suíça, mas que a mulher sim, porém sem obrigação de ser declarada.

Além acusar o ex-ministro da Casa Civil Jacques Wagner de ter oferecido votos a seu favor no Conselho de Ética em troca de não aceitar o pedido de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, Cunha afirmou que o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), agiu de má-fé. "Tudo o que faço é manobra. O que os outros fazem, não."

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