STF autoriza agente da Abin a silêncio parcial ao depor à CPI

Ao depor, José Ribamar poderá silenciar só sobre assuntos de segurança nacional, e não sobre ações da PF

MARIÂNGELA GALLUCCI, Agencia Estado

26 de novembro de 2008 | 10h30

O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello concedeu parcialmente liminar ao pedido do agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) José Ribamar Guimarães, que vai depor nesta quarta-feira, 26, na CPI dos Grampos, na Câmara. Pela decisão, Guimarães pode ser acompanhado por um advogado e não precisa falar sobre assuntos de segurança nacional. O ministro ressaltou, no entanto, que o depoente terá de falar sobre operações policiais. O depoimento está marcado para 14h30. Veja também:Abin gastou R$ 800 mil na Satiagraha, diz agente à CPI Mesmo após perder posto, Protógenes diz que fica na PF Entenda o escândalo que derrubou a cúpula da Abin As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual Gravação mostra clima tenso entre delegados da SatiagrahaAs prisões de Daniel Dantas Os alvos da Operação Satiagraha   Na última terça, a CPI ouviu o presidente da Associação de Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin), Nery Kluwe. Ele afirmou ser "voz corrente" na Abin que o gasto com arapongas na Operação Satiagraha chegou a R$ 800 mil. "Ouvi dizer que as despesas com a Satiagraha foram de 800 mil. Isso é voz corrente na agência", afirmou.  Por meio de sua assessoria de imprensa, a Abin negou. "Todos os gastos, incluindo compartilhados com outras operações da Abin são de R$ 381 mil", informou a agência. Ao depor por duas horas em sessão esvaziada - apenas quatro deputados estavam presentes - nem mesmo o relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), apareceu -, Kluwe afirmou que a participação de arapongas da Abin na Satiagraha começou com "apoio natural", ganhando força depois. "Eu suponho que começou com apoio natural, verificação de determinados dados. A situação foi crescendo e achou-se natural."  Segundo o presidente da Asbin, a cúpula da agência soube da participação de agentes na Satiagraha uma vez que "pelo menos quatro homens analisaram (da Abin) e-mails sigilosos nas investigações e relataram o seu conteúdo a Paulo Lacerda". Kluwe foi além dizendo "nunca ter visto participação tão ampla" de homens da agência em uma operação da PF, como na que resultou na prisão temporária do banqueiro Daniel Dantas. Marido traído Na CPI, Kluwe negou ainda que a Abin tenha equipamentos que possam realizar escutas. Levantamento do Exército feito em 15 aparelhos da agência, porém, mostra que pelo menos sete deles podem ser usados para grampos telefônicos, conforme o Estado revelou no domingo. Ele ainda negou a interferência do Planalto na Abin e disse acreditar que Félix não tinha conhecimento do engajamento da Abin na Satiagraha. "A minha convicção pessoal é que não (que Félix não sabia). Se ele soubesse, teria tido mais desembaraço e pujança na defesa dos agentes. Na primeira vez que compareceu no Congresso, ele pareceria marido traído".  "Houve quebra de comando inaceitável. Os chefes não assumem (a participação da Abin). Alguns chefes não abriram à integralidade do conhecimento que detinham. Isso causou constrangimento para todos nós", afirmou.  Negativa O presidente da Asbin foi taxativo ao negar que tenha sido responsável pelo vazamento do grampo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "Repilo e rechaço a maledicente acusação de minha participação no episódio", afirmou, logo em suas primeiras declarações à CPI. "Para a Abin não há interesse nenhum em grampear um ministro, uma autoridade do governo. Para nós é mais vantajoso recrutar uma secretária como fonte humana do que grampear uma autoridade", disse.

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