STF abre ação contra Gushiken, Valério e mais 17 por mensalão

No terceiro dia de julgamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu processo contra 19 acusados no caso do mensalão, abrangendo o braço publicitário do esquema. Por votos da maioria, a corte acatou ontem denúncia do Ministério Público contra o ex-ministro de Comunicação Luiz Gushiken, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), o grupo do empresário Marcos Valério e quatro dirigentes do Banco Rural.Ficou evidente a divisão. De um lado, o relator Joaquim Barbosa e Cezar Peluso, da linha do "carimbo" - favoráveis à abertura de ação penal diante de qualquer indício de crime. Gilmar Mendes, Eros Grau e Ricardo Lewandowski discordaram, mas venceu a primeira tese. Em alguns casos, o debate foi além da abertura de ação - ministros deram pistas de como julgarão o mérito, quando vão condenar ou absolver.Para o deputado cassado José Dirceu e a antiga cúpula do PT, foi dia de comemorar. O relator livrou Dirceu da acusação de peculato e, por 10 votos a 0, ele foi absolvido. A decisão beneficiou o deputado José Genoino (PT-SP), o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira. Restam as acusações de formação de quadrilha e corrupção.O ministro do STF Eros Grau, que teve o nome citado em troca de mensagens de colegas, sugerindo acordo com o Planalto, voltou a reagir. Ressaltou que é independente e acusou a imprensa de fazer "linchamentos", como um tribunal no qual "todos são culpados até prova em contrário".Antes mesmo do fim do julgamento, análise dos balanços do Banco Rural - do núcleo financeiro do mensalão - mostra que a instituição já sofre grande desgaste. Fechou 83 postos de atendimento, demitiu 1.400 funcionários e fechou 2006 com balanço negativo de R$ 76,3 milhões. O julgamento, que virou atração no mundo jurídico, continua na segunda-feira.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.