Stephanes é confirmado por Lula na Agricultura

O deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) foi convidado nesta quinta-feira, 22, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Agricultura. O cargo era reivindicado pela bancada do PMDB na Câmara para garantir o apoio do partido ao governo no Congresso. Ele foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, quando era deputado pelo PFL. O próprio Stephanes informou aos jornalistas ter aceitado o convite e que a posse está marcada para as 10 horas desta sexta-feira. "Seriedade e profissionalismo são a marca da minha carreira e vou continuar assim no ministério da Agricultura", disse Stephanes.O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que participou da audiência com Lula, contou que o presidente "falou muito bem" do atual presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), Sílvio Crestana, e recomendou a Stephanes sua manutenção.Temer relatou, ainda, que Lula disse ter escolhido Stephanes pelo currículo dele. "Você tem um passado administrativo confiável. Tenho certeza de que, na Agricultura, vai obter os mesmos resultados que conseguiu em cargos anteriores."Entre as questões que Stephanes aponta na Agricultura, estão a área de defesa sanitária animal, o meio ambiente e os transgênicos. "A área de defesa sanitária animal é um problema a curto prazo", disse. "Não vou entrar na discussão dos transgênicos até porque existe uma lei que define a questão, uma comissão (a CTNBio) e uma política de governo".´Aborígine´O nome de Stephanes tem resistência na bancada ruralista na Câmara. O deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), um de seus integrantes, afirmou que como o novo ministro não é do setor do agronegócio, a indicação pelo presidente Lula o apoio dos ruralistas. "Colocar um aborígine lá é uma desgraça para nós", afirmou Lupion.A preferência de Lupion recaía sobre os que vivem "o dia-a-dia do setor" agrícola, como Moacir Micheletto (PR), Waldemir Moka (MS) e Valdir Colatto (SC). "Ele (Stephanes) é um homem decente, sério, bem intencionado, mas o problema é que ele não é do setor", disse o ruralista. Em resposta aos ruralistas que lembram sua passagem no Ministério da Previdência, o deputado disse: "Aquilo foi quase um acidente de percurso. Minha origem é a agricultura."Stephanes negou que sua indicação para o cargo de ministro da Agricultura tenha sido apadrinhada pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). "Eu não sou ministro do Paraná", disse.PerfilStephanes tem 67 anos e é de Porto União (SC). Economista, formado na Universidade Federal do Paraná e com especialização em Administração Pública na Alemanha, deputado já ocupou cargos públicos no Paraná e nos governos dos ex-presidentes Ernesto Geisel, Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso.Na política está em seu sexto mandato como deputado federal, cargo para o qual foi eleito pela primeira vez para o mandato de 1979 a 1983 pela antiga Arena. Já passou pelo PDS, PFL e PMDB, seu partido atual. Seu primeiro cargo público foi o de secretário da Fazenda de Curitiba (PR), entre 1966 e 1967. Stephanes trabalhou por quatro anos no Ministério da Agricultura, que agora irá comandar, o que pode ser uma resposta às críticas dos ruralistas de que não ele não tem conhecimento do setor.Ele foi subsecretário de Planejamento e Orçamento e secretário-geral do Ministério da Agricultura entre 1970 e 1973 e diretor do Incra. Em 1974, assumiu a presidência do antigo Instituto Nacional da Previdência Social (INPS) no governo Geisel e permaneceu no órgão que deu origem ao Ministério da Previdência até 1979. No mesmo ano assumiu a Secretária da Agricultura do Paraná, onde permaneceu até 1981, durante o mandato do então governador Nei Braga.Em janeiro de 1992, foi escolhido como ministro do Trabalho e Previdência para substituir Antonio Rogério Magri, durante o governo Collor. Stephanes deixou o cargo em outubro daquele ano após Collor ser cassado e voltou ao comando da Pasta em 1º de janeiro de 1995, com a posse de Fernando Henrique Cardoso. Stephanes permaneceu na pasta até abril de 1998.Após deixar o Ministério da Previdência, o novo ministro da Agricultura foi ainda presidente do Banco do Estado do Paraná (Banestado) antes da privatização daquela instituição financeira. (Colaboraram Denise Madueño e Gustavo Porto)Texto ampliado às 19h10

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