Stephanes diz que poderá agir contrariando segmentos

O novo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou,nesta terça-feira, em seu discurso na cerimônia de transmissão de cargo, que pretende, como homem público, compreender os críticos, procurar a conciliação e a harmonia, "mas, se necessário, tomar decisões mesmo que contrariem os interesses de determinados segmentos". Stephanes é o primeiro ministro da Agricultura com perfil político durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, já que seus antecessores, Luís Carlos Guedes Pinto e Roberto Rodrigues, são técnicos com perfil acadêmico.Stephanes reafirmou, em seu discurso, que seguirá a recomendação dada pelo presidente Lula na posse da última sexta-feira, que é "olhar para aqueles que não podem estar aqui representados e por aqueles que mais precisam do governo".O ministro destacou a importância do agronegócio e da pequena propriedade familiar como bases de desenvolvimento e pregou capacidade de diálogo entre os setores. "Mesmo que tenha de me colocar a frente das reivindicações e dos legítimos interesses do setor agrícola e, muitas vezes, ter opiniões conflitantes com outras áreas do governo, devo demonstrar capacidade de negociação, de entendimento e de harmonia com os demais setores responsáveis pelo desenvolvimento", afirmou.Por fim, Stephanes pediu às instituições e aos seus técnicos ligadas ao agronegócio e que têm responsabilidade com o desenvolvimento rural, que se questionem sobre qual é a nossa missão. "Afinal, quem produz são os agricultores e cabe a nós facilitar-lhes essa tarefa", concluiu o ministro, que elogiou ainda "a sucessão de boas gestões" de Guedes e Rodrigues, bem como do ex-ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes. PrioridadesStephanes admitiu que recebe o cargo de Luís Carlos Guedes Pinto, com um plano estratégico, com propostas de aperfeiçoamento da política agrícola e num bom momento para o setor. "Assumo esta incumbência em um momento bom da agricultura brasileira, com uma boa safra e, de forma geral, com bons preços", disse.No entanto, o ministro ressaltou as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo nas últimas três safras de verão e três de inverno. "Uma safra não é suficiente para recuperar o setor. Mas já é um bom começo", afirmou Stephanes. Ele destacou dez pontos que considera questões mais sensíveis do agronegócio. O primeiro é a defesa sanitária animal e vegetal, que o próprio Stephanes considerou como o principal problema para ser resolvido em um curto prazo no País já em suas primeiras entrevistas como ministro.O ministro citou ainda como os outros pontos sensíveis e prioritários a agricultura e o meio ambiente; a produção de bioenergia de álcool do biodiesel; a biotecnologia, inclusive os transgênicos; e o endividamento do setor rural e a taxa dos juros agrícolas, frente à queda da inflação e da taxa Selic.Stephanes elencou também, entre os desafios para o seu mandato, a agregação de valor aos produtos agrícolas; a consolidação da política de garantia dos preços mínimos e do seguro agrícola, para estabilizar a renda dos produtores; a preocupação com a infra-estrutura; as negociações internacionais sobre a liberalização do comércio dos produtos agropecuários; e, em prazo muito curto, a política para atual safra de trigo e para a próxima safra de verão.

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