Stélide culpa paralisação da reforma agrária por mortes no Sul

No último domingo, conflito no interior do Paraná deixou dois mortos: um líder do movimento e um segurança

PEDRO DANTAS,

25 de outubro de 2007 | 22h03

O economista João Pedro Stédile, um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), culpou a paralisação da reforma agrária pelas mortes e confrontos no sul do País. Sobre os confrontos em Santa Teresa do Oeste, no interior do Paraná, que deixaram dois mortos no domingo, Stédile disse que a ocupação visava a pressionar o Poder Judiciário para decidir sobre a desapropriação da área que, segundo ele, seria transformada em um "centro de reprodução de sementes nativas" e acusou a multinacional Syngenta Seeds de se unir ao Movimento dos Produtores Rurais para contratar "uma empresa de pistoleiros".   O militante do MST Valmir Mota de Oliveira, o Keno, de 32 anos, foi morto com dois tiros no peito e o segurança, Fábio Ferreira, 25 anos, morreu com um tiro na cabeça. Outras oito pessoas ficaram feridas.   "A Syngenta se juntou com o Movimento dos Produtores Rurais e os fazendeiros contrataram uma empresa de pistoleiros que chegaram atirando e para matar quatro lideranças. Isso é a imagem do Agronegócio", afirmou Stédile. Em nota, a Syngenta negou ter solicitado à empresa terceirizada de segurança que retomasse a estação ou se envolvesse em confronto armado e informou que os seguranças deviam "prestar serviços desarmados".   "A reforma agrária está paralisada no país. O governo federal trata o assunto como uma questão marginal, com medidas de compensação social, levando cestas básicas para acampados.", declarou Stédile, após participar da Conferência Internacional Vozes da Nossa América, na Universidade Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica, na Baixada Fluminense."As forças conservadoras do interior perceberam a morosidade do governo e se articularam com as transnacionais. Se houvesse uma reforma agrária em curso, teríamos evitado (os confrontos)", disse o líder do MST.Segundo ele, no Rio Grande do Sul, onde um conflito com a polícia deixou 8 sem-terra feridos em Sarandi na quarta, o governo federal assentou 300 famílias nos últimos cinco anos. "Em quatro anos, o governo Olívio Dutra (1999-2003) assentou oito mil famílias em pleno governo FHC, que não queria nada com a reforma agrária. Isso é vergonhoso, inadmissível. Estamos lá com três mil famílias acampadas há 5 anos que não têm mais o que perder", disse Stédile.   O líder do MST disse que a desapropriação de duas fazendas assentararia as três mil famílias. "A primeira é a Fazenda Soltal, no município de São Gabriel, cujas dívidas com o INSS e bancos oficiais é maior que o valor dos quase oito mil hectares. A outra é a Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, cujo processo está na Casa Civil há um ano e o governo não toma uma atitude", acusou Stédile.   A Fazenda Coqueiros é o destino final de três colunas com mais de mil famílias que marcham pelo estado gaúcho. O conflito ocorreu após a juíza da 2º Vara Cível de Carazinho, Marlene Marlei de Souza, proibir a marcha de entrar em sua comarca, que inclui o município de Coqueiros do Sul.    

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