Stédile volta a defender destruição na Aracruz

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) João Pedro Stédile não tem perdido oportunidades para defender os sem-terra que destruíram o laboratório e anos de pesquisa da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul. Nesta terça-feira foi a vez de um discurso a participantes do Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo ao Encontro das Partes do Protocolo de Cartagena de Biossegurança, que acontece no ExpoTrade, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba."A Aracruz é um deserto verde. Não tem vida ali, nem as abelhas sobrevivem nas plantações da progressista Aracruz", atacou, enquanto era aplaudido por um bom número de integrantes do MST e ambientalistas.No evento, estavam presentes a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o governador do Paraná, Roberto Requião. Stédile elogiou a ministra, mas disse que, dentro do governo, o agronegócio tem muito mais força que ela. "O que temos que nos perguntar é de que lado está o interesse do povo que precisa se alimentar", afirmou. "Por isso peço que a ministra continue do lado do povo e ajude que o governo brasileiro cumpra a lei."Para o coordenador do MST, a lei somente é acionada quando se trata dos pobres do campo, dos sem-terra. "Até o ministro Rossetto, que é um esquerdista tradicional, aprendeu rápido a lição reacionária."Pois nós dizemos: quem não está cumprindo a lei neste país são os capitalistas, os transnacionais." Ele cobrou do governo federal a fiscalização sobre as agroindústrias que não estão colocando nos rótulos dos produtos a especificação de que eles são fabricados com produto transgênico. "Esse selo é lei", acentuou.Stédile deixou o local sem dar entrevista, mesmo após dizer que iria à sala ao lado, onde estava programada uma coletiva. Pela manhã, ele fez uma palestra no Encontro dos Atingidos por Barragens, quando também prometeu que falaria com a imprensa à tarde, que foi proibida de assistir à palestra pela manhã. De acordo com os organizadores do encontro, essa decisão tinha sido tomada na noite anterior.

Agencia Estado,

14 de março de 2006 | 18h21

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