Stédile reitera que ocupações de terra continuarão

O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stétile, afirmou hoje que as ocupações de terra vão acontecer sempre, independentemente da vontade ou não do governo, enquanto existirem latifúndios improdutivos e famílias sem-terra no País. "Ocupações de terra vão acontecer sempre enquanto não se resolva essa grave contradição, que é a sociedade e o governo implementarem um processo que democratize o acesso à terra", disse Stétile à Agência Estado. Segundo ele, há quatro milhões de famílias sem-terra no Brasil. "As invasões de terra existem não porque alguém queira, mas porque na sociedade brasileira existe, de um lado, latifúndios improdutivos que são uma afronta para a sociedade e, de outro, No meio estamos nós, as organizações dos trabalhadores e o governo para encaminhar a soluções a essas duas contradições." O dirigente participa hoje da primeira reunião temática do Comitê de Representantes Governanentais sobre a Participação da Sociedade Civil sobre a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Ele conseguiu levar ao Memorial da América Latina, onde ocorre o evento, cerca de 100 integrantes do MST para assistirem ao debate sobre as posição das ONGs latino-americanas em relação à Alca. De acordo com o coordenador do MST, as invasões de terra vão diminuir quando a sociedade civil e o governo perceberem que têm mecanismos para resolver o problema de acesso à terra. Ele afirmou que o movimento continuará negociando com o governo. "Sempre negociamos. Já negociávamos com Fernando Henrique, que era muito mais truculento contra nós", disse Stédile, que ao se apresentar no debate como membro do MST disse que estava no encontro para levar a posição do movimento contra a Alca.Stédile relatou aos cerca de 50 representantes de vários países do Continente que, no ano passado, aproximadamente 10 milhões de pessoas, que participaram de uma consulta popular, votaram contra a criação do futuro bloco comercial das Américas.

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