Stédile quer que Lula acelere medidas de assentamento

O coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não vai chegar ao fim da maratona se não começar a correr", referindo-se ao desempenho do governo federal na questão agrária. Segundo ele, o anúncio de que serão desapropriados 203 mil hectares de terras improdutivas em 17 estados para assentar 5,5 mil famílias "é apenas propaganda". "Deveriam apresentar 14 medidas dessa por semana", afirmou Stedile, que defende o assentamento "imediato" de 80 mil famílias que hoje vivem em acampamentos. "O governo precisa andar mais rápido para que os problemas sociais mais agudos tenham ações mais agudas. Evidentemente todas as pessoas sensatas sabem que não podemos julgar o governo em 45 dias, mas o papel dos movimentos e da sociedade é ficar pegando no pé do governo para que ele não erre." Ele ressaltou, porém, que é preciso "ter paciência" porque a montagem de uma equipe "é um processo demorado". "A paciência é uma virtude", disse Stedile. Segundo ele, representantes do MST estão em Brasília esta semana para uma série de negociações, "levando opiniões, sugestões e críticas, porque o governo tem que melhorar". O dirigente do MST considerou ainda um "desastre" a declaração do ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, durante evento realizado na sexta-feira passada na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), em que ele associou os nordestinos à violência nos grandes centros urbanos do sul do País. "Ele (Graziano) já pediu desculpas publicamente, mas é lamentável, um desastre. O ministro não pensa assim, mas o empresariado paulista pensa. Por isso foi muito emblemático que a frase tenha sido dita numa assembléia da Fiesp, que é o núcleo da elite no País", disse Stedile. Na reunião com os empresários, Graziano declarou: "Temos de criar emprego lá (no nordeste), temos de gerar oportunidade de educação lá, temos de gerar cidadania lá, porque, se continuarem vindo para cá, vamos ter de continuar andando de carro blindado." Para o coordenador do MST, a elite paulistana "tem preconceito com os nordestinos". "Foi uma ofensa com os pobre do nordeste e uma vergonha para a elite de São Paulo, que deveria estar preocupada em criar empregos em vez de ficar fazendo reuniãozinha." No entanto, ele disse: "Eu acho que devemos fazer uma limonada desse limão, do erro do Graziano. Usar a imprensa para pagar uma dívida com os pobres e nordestinos e eliminar o preconceito". O coordenador do MST considerou o Fome Zero um programa "abrangente". Disse, porém, que a erradicação da fome só vai acontecer quando o governo priorizar medidas estruturais como reforma agrária, geração de emprego e distribuição de renda. "A sociedade tem que ficar atenta para que o governo implemente essas medidas estruturais, porque se cair na tentação de ficar apenas nas medidas emergenciais, assistencialistas, como distribuição de cestas básicas e cupons, isso não vai resolver nada." Stedile participou de reunião do conselho estratégico do movimento Brasil Sem Fome, no Espaço Criança Esperança, em Ipanema, onde são realizados projetos sociais para as comunidades do Cantagalo e Pavão/Pavãozinho. Coordenado pela Ação da Cidadania contra a Fome. O Brasil sem Fome reúne entidades como MST, Pastoral da Criança CNBB e CUT.

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