Stedile pede diálogo a Lula em encontro com movimentos

Coordenador do MST quer que reunião com presidente não seja 'brincadeirinha' e quer espaço para debate

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2008 | 18h35

O coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stedile, disse nesta sexta-feira, 21, em Curitiba, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está convidando os movimentos sociais para uma reunião, no dia 26, em que será discutida a crise financeira mundial. "Aproveito para mandar um recado: espero que a reunião não seja brincadeirinha para ele dar discurso para dirigentes de movimentos sociais, nós queremos uma reunião que seja um diálogo e que os movimentos possam dizer ao governo quais são as medidas que nós esperamos para sair dessa crise", acentuou.   Depois de uma conversa com policiais militares paranaenses sobre o relacionamento da corporação com os movimentos sociais, Stédile afirmou que entende a posição do presidente Lula quando tenta amenizar o discurso em relação à crise para não criar um pânico. "Mas ele tem que tomar medidas práticas para proteger o povo brasileiro da crise", salientou. "Infelizmente até agora não vimos nenhuma medida concreta dirigida para os pequenos agricultores. Ao contrário, os pequenos estão começando a pagar a crise. E muito menos (vimos medidas) para o povo em geral."   Para o coordenador do MST, o governo federal está cometendo um "erro sério ao correr atrás do prejuízo e ficar setorizando a ajuda". Segundo ele, por enquanto o Estado foi revigorado não para ajudar o povo, "mas em benefício de salvar o patrimônio daqueles capitalistas que estavam especulando". "O que o Brasil precisa é tomar medidas de mudança de política econômica, precisa aproveitar a crise para sair do neoliberalismo e remontar um outro projeto de desenvolvimento nacional para o País", afirmou.   Para a reunião com o presidente Lula ele deve levar algumas propostas que acredita devam fazer parte da nova política econômica. A primeira é sair imediatamente da esfera do dólar. "Tirar as reservas de dólar e se proteger pelo menos em euro", sugeriu. Ao mesmo tempo em que propõe a articulação com países do Mercosul para construir uma moeda supranacional. Em relação à taxa de câmbio, Stédile espera que haja um controle por parte do governo e não deixá-la ao "sabor do mercado".   Segundo ele, o governo também precisa tomar "medidas drásticas" para controlar o fluxo de capital estrangeiro. "Os caras saem e entram como querem, isso aqui parece casa da mãe Joana", criticou. E, por último, deve sugerir que se acabe com a política de superávit primário, segundo ele "uma sacanagem que o Fundo Monetário Internacional nos impôs e que o governo Lula fecha os olhos".   Stédile acentuou que o superávit visa apenas o pagamento de juros. "Se os bancos estão quebrados essa é a hora de suspender o pagamento dos juros da dívida interna e usar o dinheiro para fazer um grande programa, como nos ensinou Roosevelt (presidente norte-americano Franklin Roosevelt) no New Deal (programa de desenvolvimento norte-americano após a crise de 1929), um grande programa de investimento naquelas áreas que vão solucionar o problema do povo: a reforma agrária, os pequenos agricultores, a construção de metrôs, a construção de moradias", propôs.

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