FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Stédile: governo tem que 'criar vergonha' e dar resposta a movimentos sociais

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse neste sábado (14) que o governo federal tem que criar vergonha e dar uma resposta aos movimentos sociais que ajudaram a eleger a presidente Dilma Rousseff (PT) apostando em um programa de compromissos que previa reformas para melhorar as condições de vida da população.

GABRIELA LARA, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

14 de março de 2015 | 17h01

"Ela (Dilma) assumiu, a crise econômica se intensificou, ela colocou o Levy (ministro Joaquim Levy) na Fazenda e todas as medidas de política econômica até agora foram ruins para a classe trabalhadora. Isso significa que ela escutou mais os burocratas do que o povo", afirmou Stédile ao Broadcast no início da tarde de hoje, na chegada a um seminário organizado pelo PT do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Nesta sexta-feira, em ato em defesa da Petrobras no Rio de Janeiro, a principal liderança do MST no Brasil já havia desafiado a presidente a sair "do palácio" e "ouvir o povo". Na ocasião, ele também afirmou que Levy é um "infiltrado" no governo petista. Na manhã de hoje, ao participar da primeira parte do seminário do PT gaúcho, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, disse que Dilma tem se dedicado a ouvir a população e, com o tratamento que vem dando à crise, "certamente irá recuperar a popularidade".

Esta semana, Stédile atendeu ao chamado do ex-presidente Lula e levou o MST às ruas em diferentes cidades do Brasil para reforçar as manifestações a favor do governo petista, mas não deixou de fazer críticas às recentes medidas de ajuste fiscal. Segundo ele, o MST, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e outros agentes sociais sabem que o País vive um período de dificuldades, mas esperavam que a presidente pudesse levar em consideração suas propostas para sair da crise antes de cortar gastos sociais.

Entre as ações sugeridas por Stédile está o aumento do Imposto de Renda sobre o lucro das empresas transferido para o exterior e a criação do imposto sobre fortunas. No longo prazo, ele defende que o País acabe com a "frescura" de superávit primário. "Isso é herança do governo Fernando Henrique, de um acordo que eles fizeram com o FMI, que o governo tem que se comprometer primeiro em reservar para juros e depois para a educação. Nós queremos inverter", afirmou.

Stédile explicou que o MST foi às ruas esta semana com o objetivo de impedir a perda de direito dos trabalhadores e para defender a Petrobras. "A empresa é zeladora, em nome do povo, da última riqueza coletiva que esta nação tem que é o petróleo. Fomos dizer para a burguesia não meter a mão no petróleo", argumentou, ao mencionar que a oposição teria propostas para privatizar a estatal.

Sobre as manifestações anti-Dilma programadas para este domingo, o líder do MST disse que os movimentos de direita têm o direito de protestar, mas "pegaram o mote errado" ao exigir o impeachment da presidente. "Isso é algo ilegítimo, ilegal. Eles são burros, a direita é burra, porque ao levantar a bandeira do impeachment ela dá para a esquerda o dever de defender o legalismo. Se a bandeira do impeachment aumentar, temos que ir para todas as praças e assembleias do Brasil defender a legalidade, a Constituição brasileira."

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