Stedile foi processado 2 vezes

O líder nacional do MST, João Pedro Stedile, foi processado duas vezes na Justiça do Rio Grande do Sul. Uma das ações, por incitação à violência, já foi extinta. A outra, por participação na organização de um ataque ao viveiro de mudas da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, está em andamento. Stedile é esperado para depoimento no dia 26 de junho.O primeiro caso foi decorrente de palestra que Stedile deu a assentados e acampados em Canguçu, no dia 26 de março de 2003, quando disse que havia mil trabalhadores rurais para cada latifundiário no Brasil. "Está faltando para nós é juntar, para cada mil pegarem um", afirmou, na ocasião. O Ministério Público viu no discurso uma incitação à violência e moveu uma ação penal contra Stedile. O líder não compareceu a nenhuma das audiências, mas conseguiu que o Tribunal de Justiça extinguisse o processo.Em 13 de julho de 2005, a 5ª Câmara Criminal entendeu que as palavras de Stedile, colocadas em seu contexto, se apresentavam como "excesso de discurso sem a evidência de dolo efetivo visando à prática dos crimes apontados na denúncia". A segunda ação tramita no Fórum da Barra do Ribeiro. Em 8 de março de 2006, 1,5 mil mulheres da Via Campesina depredaram o viveiro da Aracruz. Stedile deu entrevistas cumprimentando as autoras do ataque. O promotor Daniel Indrusiak denunciou Stedile e outras 36 pessoas não só pelas palavras, mas também por participação na organização ou no próprio ato. O processo foi aberto em abril daquele ano. Ele não compareceu a duas audiências marcadas. Indrusiak chegou a pedir sua prisão preventiva, mas o juiz Jonatas de Oliveira Pimentel negou e ofereceu a data de 26 de junho, "de forma derradeira", para que apresente sua defesa. Stedile diz que não pode ser condenado por ter expressado uma opinião.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.