Stedile, do MST, recomenda voto em Dilma

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, ligado aos movimentos sociais, o principal líder do Movimento dos Sem Terras (MST), João Pedro Stedile, declara que a candidatura de José Serra(PSDB) representa "o núcleo central dos interesses da burguesia e a volta do neoliberalismo".

ROLDÃO ARRUDA, Agência Estado

13 de agosto de 2010 | 19h27

Para Stedile, o tucano está a serviço dos "interesses da burguesia internacional, da burguesia financeira, dos industriais de São Paulo, do latifúndio atrasado". Frente a esse cenário, ele defende que, "como militantes sociais, e como movimentos sociais, temos a obrigação política de derrotar a candidatura Serra".

Dilma Rousseff (PT), segundo o líder do MST, representa "setores da burguesia brasileira que resolveram se aliar a Lula, setores mais arejados do agronegócio, a classe média mais consciente, e praticamente todas as forças da classe trabalhadora organizada".

Diante disso, ele recomenda: "Achamos que a vitória da Dilma permitirá um cenário e correlação de forças mais favoráveis a avançarmos em conquistas sociais, inclusive em mudanças na política agrícola e agrária". "E evidentemente que nesse cenário incluímos a possibilidade de um ambiente propício para maior mobilização social da classe trabalhadora como um todo, para a obtenção de conquistas", acrescentou.

Durante a entrevista, Stedile também comentou os ataques de Serra ao MST: "Na minha avaliação, a coordenação tucana acha que a única chance do Serra crescer eleitoralmente é adotar um discurso de direita, para polarizar e, então, se mostrar mais de confiança do que a Dilma".

Na avaliação do líder sem-terra, por esse motivo que Serra "adotou todos os ícones da esquerda para bater". "Bate em nós, em Fidel, em Cuba, Chávez, Evo Morales, até no bispo Lugo ele bateu", analisa. "Achou uma conexão das Farc com o PT absurda, ele sabe que o partido está mais próximo da social-democracia, não é por ignorância, é por tática eleitoral".

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