Stédile diz que sem-terra estavam desesperados

O dirigente nacional do MST, João Pedro Stédile, tentou justificar hoje a invasão da fazenda da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Burutis (MG), no último sábado, afirmando que ela foi "uma atitude desesperada de alguns pobres que vem sendo enrolados pelo governo". Em entrevista para a rádio CBN, ele acusou a imprensa de manipular o caso e garantiu que o ato não teve motivação política por parte do PT.Para Stédile, "a imprensa em geral está manipulando um episódio localizado que não pretendia ter as proporções que teve para desviar o tema que estava em curso sobre os grampos no Ministério da Saúde, sobre a candidatura da Roseana".Ele reconheceu que foi "um episódio lamentável", mas destacou as famílias dos sem-terra estão "há seis anos sendo enrolados pelo Incra e pelo governo com mentiras permanentes". Para ele, "a única sorte que eles têm na vida, apesar de toda a pobreza, é serem vizinhos dos filhos do presidente".O dirigente nacional do MST disse que a invasão da fazenda Córrego da Ponte foi decidida "na sexta-feira passada, em assembléia, sem nenhuma ilação política, sem nenhum aconselhamento com ninguém". Stédile disse que os sem-terra "decidiram ir lá na fazenda e fazer um protesto, mas chegando lá, não encontrando ninguém para atendê-los, como estava chovendo, entraram até na casa do presidente, o que foi lamentável".Para ele, "a opinião pública precisa discernir entre o que é uma atitude desesperada de alguns pobres que vem sendo enrolados pelo governo e esta manipulação que a imprensa está dando". Stédile acusou ainda os meios de comunicação de "jogar este episódio contra o PT". "Eu espero que o PT não vista a carapuça porque é justamente esta a tática que o ministro (da Justiça) Aloysio Nunes e o ministro da Abin (ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso), de justamente transformar um fato político que realmente não tem esta conotação", afirmou.Segundo o dirigente do MST, a "maior prova da enganação do governo" no atendimento aos sem-terra da região de Buritis, "é que os negociadores do governo não eram funcionários do segundo escalão". Ele disse que o desembargador Gersino da Silva e a assessora especial do ministro, Maria de Oliveira, que pediram demissão após a prisão de 16 sem-terra, "ficaram estarrecidos com as mentiras do ministro (do Desenvolvimento Agrário, Raul) Jungmann. Para Stédile, "eles pediram demissão porque acompanhavam os movimentos sociais e sabem de cada conflito, de cada região, sabiam que aquilo lá não tinha motivação política, que aquilo não tinha ninguém por trás."

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