Stédile diz que não cometeu ou estimulou crime na Aracruz

Denunciado em cinco crimes por causa da invasão da Aracruz, o líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) João Pedro Stédile propõe que o Ministério Público seja rápido também em abrir processos contra "os verdadeiros crimes que a empresa cometeu e comete contra os povos indígenas, as famílias quilombolas e o meio ambiente, tanto no Rio Grande do Sul como no Espírito Santo e na Bahia". "Estou com a consciência tranqüila, não cometi nenhum crime e nem estimulei nenhum crime", afirmou Stédile, prometendo que os advogados darão as respostas necessárias nos autos do processo. O líder do MST estava em Porto Alegre participando da Conferência Internacional sobre Reforma Agrária, promovida pela Organização das Nações Unidas, no dia da invasão da Aracruz."Após o episódio, manifestei em público minha opinião, cumprimentando as companheiras pela coragem", lembra, referindo-se à entrevista que deu na ocasião. "Exerci o legitimo direito de opinião numa democracia", ressalta. "O mesmo direito daqueles que nas últimas semanas têm atacado de maneira vergonhosa e sistemática as companheiras da Via Campesina."Stédile diz que só tomou conhecimento da denúncia do promotor de Barra do Ribeiro, Daniel Indrusiak, pela imprensa, mas entende que o promotor está "forçando a barra, fazendo acusações infundadas, que não correspondem à verdade". Ele disse que Indrusiak estaria preocupado apenas em responder às pressões do Grupo RBS, que, estaria tentando jogar a opinião pública contra as mulheres camponesas para agradar anunciantes de seus veículos de comunicação. A assessoria de imprensa da RBS informou que a empresa não se manifestará sobre as acusações de Stédile.Segundo o líder dos sem-terra, o caso é muito parecido com o episódio de Canguçu, em 2003, quando disse que cada mil camponeses podiam pegar um grande proprietário rural para acabar com o latifúndio. "Durante dois anos ficaram me acusando e depois o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou que não havia nada que possibilitasse sequer o processo", recorda. "É bom a opinião publica ir se lembrando disso."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.